Prolactinoma e Hemianopsia Bitemporal: Entenda a Relação

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 28 anos, vem à consulta com queixa de galactorreia há 6 meses. Refere que seu ciclo menstrual é irregular e está há 8 meses tentando engravidar, sem sucesso. Há poucos dias vem sentindo dor de cabeça frequente e acredita que a causa seja porque a visão está embaçada. Foram solicitados exames laboratoriais e uma RNM de crânio, que evidenciou uma lesão expansiva em região selar com compressão do quiasma óptico. Qual alteração espera-se encontrar no exame de campimetria visual dessa paciente?

Alternativas

  1. A) Visão em túnel
  2. B) Perda da visão central
  3. C) Diplopia
  4. D) Hemianopsia bitemporal

Pérola Clínica

Prolactinoma com compressão quiasma óptico → galactorreia, amenorreia, infertilidade e hemianopsia bitemporal.

Resumo-Chave

A compressão do quiasma óptico por uma lesão selar, como um prolactinoma, afeta as fibras nervosas que cruzam, levando à perda da visão temporal em ambos os olhos, caracterizando a hemianopsia bitemporal.

Contexto Educacional

Prolactinomas são os tumores hipofisários funcionantes mais comuns, caracterizados pela produção excessiva de prolactina. Sua apresentação clínica em mulheres pré-menopáusicas tipicamente inclui galactorreia, irregularidades menstruais (oligomenorreia ou amenorreia) e infertilidade, devido à supressão do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal pela hiperprolactinemia. Quando o tumor cresce o suficiente para comprimir estruturas adjacentes, como o quiasma óptico, surgem sintomas neurológicos. A compressão do quiasma óptico é uma complicação significativa dos macroadenomas hipofisários, incluindo prolactinomas. O quiasma óptico é uma estrutura crucial onde as fibras nervosas dos campos visuais temporais (que se originam das retinas nasais) de ambos os olhos se cruzam. A compressão nesta área leva à perda da visão nos campos temporais de ambos os olhos, resultando na clássica hemianopsia bitemporal. Outros sintomas compressivos podem incluir cefaleia e, em casos mais raros, compressão de nervos cranianos adjacentes. O diagnóstico é feito pela dosagem de prolactina sérica elevada e confirmado por ressonância magnética da sela túrcica, que evidencia a lesão expansiva. A campimetria visual é essencial para documentar o defeito de campo. O tratamento de escolha para prolactinomas é geralmente farmacológico com agonistas dopaminérgicos (cabergolina ou bromocriptina), que são altamente eficazes na normalização dos níveis de prolactina e na redução do tamanho do tumor, aliviando a compressão do quiasma óptico e melhorando os sintomas visuais e endócrinos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas mais comuns de um prolactinoma?

Os sintomas mais comuns do prolactinoma em mulheres incluem galactorreia (produção de leite fora da gravidez/amamentação), irregularidades menstruais (oligomenorreia ou amenorreia), infertilidade e diminuição da libido. Em homens, pode causar disfunção erétil, diminuição da libido e, menos frequentemente, galactorreia.

Como a compressão do quiasma óptico afeta a visão?

O quiasma óptico é o ponto onde as fibras nervosas dos campos visuais temporais de cada olho se cruzam. A compressão nesta região impede a transmissão de informações visuais das retinas nasais, resultando na perda da visão periférica lateral em ambos os olhos, conhecida como hemianopsia bitemporal.

Qual o tratamento inicial para prolactinomas?

O tratamento inicial para prolactinomas é geralmente farmacológico, com agonistas dopaminérgicos como a cabergolina ou a bromocriptina. Esses medicamentos são eficazes na redução dos níveis de prolactina e na diminuição do tamanho do tumor, aliviando a compressão sobre estruturas adjacentes como o quiasma óptico.

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