SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026
Uma mulher de 28 anos, procura atendimento médico devido à ausência de menstruação nos últimos seis meses. Ela relata fadiga extrema, ganho de peso significativo e alterações no humor. Maria menciona um histórico de estresse intenso devido ao trabalho e diminuição no apetite. O exame físico revela um Índice de Massa Corporal (IMC) de 32 kg/m². Exames laboratoriais mostram níveis normais de hormônios tireoidianos, prolactina elevada e um teste de gravidez negativo. Com base nas informações apresentadas, qual das seguintes condições é a mais provável que explique a hiperprolactinemia, e qual seria o tratamento indicado para cada uma delas?
Amenorreia + Galactorreia + Prolactina ↑↑ → Prolactinoma (Tratamento: Agonistas Dopaminérgicos).
A hiperprolactinemia patológica por prolactinoma deve ser tratada inicialmente com agonistas da dopamina para reduzir o tumor e normalizar os níveis hormonais.
O prolactinoma é o tumor hipofisário secretor mais comum, manifestando-se clinicamente por galactorreia, amenorreia e infertilidade em mulheres. A fisiopatologia envolve a proliferação clonal de células lactotróficas que perdem o controle inibitório dopaminérgico normal. O diagnóstico laboratorial exige a exclusão de gravidez e hipotireoidismo primário. A ressonância magnética é o padrão-ouro para localização. O manejo clínico é altamente eficaz, com a cabergolina demonstrando taxas de normalização da prolactina superiores a 90% em microprolactinomas.
O tratamento de primeira escolha para a grande maioria dos prolactinomas, tanto micro quanto macroadenomas, é o uso de agonistas dopaminérgicos, sendo a cabergolina a medicação preferencial devido à sua maior eficácia e melhor perfil de tolerabilidade em comparação à bromocriptina. Esses medicamentos agem nos receptores D2 dos lactotrofos, inibindo a secreção de prolactina e promovendo a redução do volume tumoral. A cirurgia transesfenoidal é reservada para casos de resistência ao tratamento medicamentoso, intolerância grave aos efeitos colaterais ou quando há compressão aguda de estruturas nobres que não responde rapidamente à medicação.
A diferenciação baseia-se na história clínica e nos níveis séricos de prolactina. Medicamentos (antipsicóticos, metoclopramida) geralmente elevam a prolactina para níveis entre 25 e 100 ng/mL. Níveis acima de 250 ng/mL são altamente sugestivos de prolactinoma. Se houver dúvida e for clinicamente seguro, a suspensão da droga por 3 dias seguida de nova dosagem pode esclarecer o quadro. Caso a suspensão não seja possível, a realização de Ressonância Magnética de sela túrcica é mandatória para excluir lesão estrutural hipofisária.
Além do uso de fármacos, deve-se considerar causas fisiológicas como gestação, amamentação e estresse. Causas patológicas não tumorais incluem o hipotireoidismo primário (onde o aumento do TRH estimula os lactotrofos), insuficiência renal crônica (por redução do clearance de prolactina) e cirrose hepática. O efeito 'haste' (compressão da haste hipofisária por outros tumores) também pode elevar a prolactina ao impedir a chegada da dopamina inibitória do hipotálamo à hipófise.
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