IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
João, um menino de 4 anos e 8 meses, é levado a consulta por sua mãe, que está preocupada com o seu desenvolvimento. Ela relata que ele ainda não fala palavras com significado e, quando tenta falar, repete frases que ouve na televisão. A mãe também observa que João não responde quando é chamado pelo nome e raramente faz contato visual. Ele prefere brincar sozinho e não demonstra interesse em interagir com outras crianças da mesma idade. Além disso, João tem fascinação por objetos incomuns, como folhas de papel, que ele passa horas rasgando em tiras finas. Durante as refeições, insiste em comer sempre os mesmos alimentos e segue um ritual rígido de como os itens devem ser dispostos no prato. A mãe percebeu esses comportamentos desde que ele tinha cerca de 1 ano e meio, mas eles parecem estar se intensificando. Qual das ferramentas abaixo é adequada para promover o cuidado de forma coordenada, considerando as singularidades de João e sua família?
Criança com suspeita de TEA → Projeto Terapêutico Singular (PTS) para cuidado coordenado e individualizado.
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é a ferramenta mais adequada para promover o cuidado coordenado e individualizado de crianças com necessidades complexas, como as do espectro autista, pois envolve uma equipe multiprofissional e a família na construção de um plano terapêutico único.
O caso de João descreve um quadro clínico sugestivo de Transtorno do Espectro Autista (TEA), caracterizado por atraso na comunicação social, padrões de comportamento e interesses restritos e repetitivos. O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que exige uma abordagem de cuidado complexa e individualizada, envolvendo múltiplos profissionais e a família. A identificação precoce e a intervenção adequada são cruciais para otimizar o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança. O Projeto Terapêutico Singular (PTS) surge como uma ferramenta fundamental na Atenção Psicossocial, especialmente para casos que não se encaixam em protocolos padronizados. Ele permite que a equipe de saúde, em conjunto com o paciente e sua família, construa um plano de cuidado adaptado às necessidades específicas, considerando as singularidades de cada indivíduo. O PTS é um processo dinâmico que envolve avaliação contínua, definição de metas e responsabilidades, e reavaliação periódica. Para João, o PTS seria ideal, pois permitiria integrar as intervenções de fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e pediatria, além de envolver a mãe no processo terapêutico, considerando suas preocupações e o ambiente familiar. Diferente de um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que oferece um guia mais genérico, o PTS foca na construção de um caminho terapêutico único, flexível e centrado na pessoa, promovendo um cuidado coordenado e efetivo para as complexidades do TEA.
O PTS é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas para um indivíduo ou família, construído coletivamente por uma equipe multiprofissional. É indicado para casos complexos que exigem um olhar individualizado e uma abordagem interdisciplinar, como crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Os pilares do PTS incluem a análise da situação, a definição de metas e objetivos, a divisão de responsabilidades entre os membros da equipe e a família, e a verificação e reavaliação contínua do plano, garantindo flexibilidade e adaptação às necessidades do paciente.
Enquanto o PCDT oferece diretrizes gerais e padronizadas para o manejo de doenças, o PTS é uma ferramenta individualizada que considera as particularidades de cada paciente e seu contexto familiar e social, sendo mais flexível e adaptado a casos complexos e singulares.
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