Esquizofrenia na APS: PTS e Coordenação do Cuidado

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Mariana, 32 anos, diagnosticada com esquizofrenia, apresenta delírios persecutórios de que está sendo vigiada por câmeras e se recusa a tomar a medicação oral, acreditando conter rastreadores. Ela mora com a irmã e um sobrinho pequeno, o que gera grande tensão familiar. A equipe de Saúde da Família (eSF), após diversas tentativas de abordagem, discute o caso em reunião multiprofissional e elabora estratégias de ação e cuidado. A enfermeira, que construiu um forte vínculo com a paciente, consegue apresentar propostas de tratamento e acompanhamento, e faz algumas adaptações seguindo as solicitações de Mariana, que aceita a medicação injetável de longa duração e o acompanhamento proposto pela eSF. Considerando o caso clínico e os princípios da Atenção Primária à Saúde (APS), assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O sucesso do caso deveu se à articulação da equipe multiprofissional na construção de um Projeto Terapêutico Singular (PTS), exemplificando a coordenação do cuidado e a longitudinalidade.
  2. B) O diagnóstico psiquiátrico preciso e a prescrição medicamentosa foram os fatores determinantes para o sucesso, tornando as ações de vínculo da equipe secundárias no tratamento.
  3. C) A presença de um sobrinho no domicílio indicava a necessidade de internação compulsória imediata para garantir a segurança, sendo a abordagem domiciliar uma medida de risco.
  4. D) A intervenção deveria ter focado exclusivamente na família, pois a recusa de Mariana à medicação oral demonstra uma falha no suporte e na estrutura familiar.
  5. E) O diagnóstico psiquiátrico foi precipitado, assim como a prescrição inicial de medicamentos, colaborando para a quebra de vínculo com a equipe e gerando maior disfunção familiar.

Pérola Clínica

Saúde mental na APS: PTS + vínculo + coordenação do cuidado = sucesso terapêutico e longitudinalidade.

Resumo-Chave

O manejo de pacientes com esquizofrenia na APS requer uma abordagem integral, com foco no Projeto Terapêutico Singular (PTS), construção de vínculo e coordenação do cuidado pela equipe multiprofissional, garantindo a longitudinalidade do tratamento e a adesão.

Contexto Educacional

A esquizofrenia é um transtorno mental crônico que exige um cuidado contínuo e integrado. A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel fundamental no manejo desses pacientes, promovendo a acessibilidade, a integralidade e a coordenação do cuidado, elementos essenciais para a estabilidade e qualidade de vida do indivíduo e sua família. O sucesso do tratamento, como exemplificado no caso, frequentemente reside na capacidade da equipe multiprofissional de construir um Projeto Terapêutico Singular (PTS), que considera as particularidades do paciente, seus delírios e recusas, e envolve ativamente a família. A construção de um vínculo sólido com o paciente, como o estabelecido pela enfermeira, é um pilar para a adesão ao tratamento, inclusive a medicações injetáveis de longa duração, que podem ser uma alternativa eficaz em casos de recusa oral. A longitudinalidade do cuidado na APS permite o acompanhamento contínuo, a adaptação das estratégias terapêuticas conforme a evolução do paciente e a prevenção de crises. A articulação da equipe e a inclusão da família no processo são elementos-chave para o manejo eficaz da esquizofrenia, indo além da mera prescrição medicamentosa e focando na reabilitação psicossocial e na melhoria da qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

O que é um Projeto Terapêutico Singular (PTS) e qual sua relevância na saúde mental?

O PTS é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas para um indivíduo ou família, construído coletivamente por uma equipe multiprofissional. Na saúde mental, ele é crucial para personalizar o cuidado, considerando as necessidades, desejos e particularidades do paciente e sua família, promovendo maior adesão.

Como a Atenção Primária à Saúde (APS) contribui para o tratamento da esquizofrenia?

A APS oferece um ambiente de cuidado contínuo e próximo ao território do paciente, facilitando a construção de vínculo, a coordenação do cuidado com outros níveis de atenção, o suporte familiar e a adesão ao tratamento, incluindo a medicação de longa duração, promovendo a integralidade e longitudinalidade.

Qual o papel do vínculo terapêutico e da família no manejo da esquizofrenia?

O vínculo terapêutico forte entre paciente e equipe é fundamental para a adesão ao tratamento, a confiança e a superação de resistências, como a recusa medicamentosa. A família, por sua vez, é um pilar de suporte essencial, e sua inclusão no plano de cuidado é crucial para a estabilidade e bem-estar do paciente, além de reduzir a tensão familiar.

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