FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Uma equipe de Saúde da Família (eSF) identificou o caso de uma menina de 3 anos de idade com suspeita de maus-tratos. Seguindo as normativas vigentes, o caso foi notificado ao Sistema de Vigilância Epidemiológica. Foi realizada uma investigação ampliada, envolvendo uma abordagem intersetorial com a cooperação da assistência social, do conselho tutelar e da escola da criança. O resultado da investigação não confirmou a situação de negligência ou violência por parte da família nos cuidados prestados à criança, e a suspeita inicial foi descartada. Apesar disso, identificou-se a necessidade de suporte psicossocial. Assim, a criança e os seus pais passaram a receber assistência psicológica e continuaram em seguimento longitudinal coordenado pela equipe da UBS. Considerando essa situação hipotética, bem como a complexidade do caso e a abordagem multiprofissional e intersetorial implementada para o acompanhamento contínuo dessa família na atenção primária, é recomendado que a equipe proceda à confecção de:
Casos complexos com demanda psicossocial e intersetorial na APS → Projeto Terapêutico Singular (PTS).
O PTS é uma ferramenta de gestão do cuidado que articula ações multiprofissionais para sujeitos em situações de vulnerabilidade, indo além do diagnóstico biomédico.
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) surge no contexto da Política Nacional de Humanização (PNH) e da Clínica Ampliada. Ele visa transformar a prática assistencial, deslocando o foco da doença para o sujeito e seu contexto de vida. Em casos de suspeita de violência infantil, mesmo quando a agressão física não é confirmada, a vulnerabilidade psicossocial identificada exige uma resposta coordenada da rede de proteção. A implementação do PTS exige reuniões de equipe (matriciamento) e a participação ativa de profissionais como assistentes sociais, psicólogos e enfermeiros. A intersetorialidade é a chave: a saúde não consegue resolver sozinha problemas que perpassam a estrutura social, necessitando do apoio do Conselho Tutelar e da rede socioassistencial para garantir a proteção integral da criança.
O PTS é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas, para um sujeito individual ou coletivo, resultado da discussão coletiva de uma equipe multidisciplinar. Ele é dividido em quatro momentos: diagnóstico (avaliação orgânica, psicológica e social), definição de metas (curto, médio e longo prazo), divisão de responsabilidades (quem faz o quê) e reavaliação. É uma ferramenta fundamental da Clínica Ampliada para lidar com casos onde o modelo biomédico tradicional é insuficiente.
O PTS é indicado em situações de alta complexidade clínica ou psicossocial, onde há múltiplas vulnerabilidades envolvidas. Exemplos comuns incluem casos de violência doméstica, negligência infantil, sofrimento mental grave, usuários de álcool e outras drogas em situação de rua, ou famílias com vínculos fragilizados que demandam suporte de outros setores como assistência social (CRAS/CREAS), conselho tutelar e educação.
Enquanto o prontuário registra a evolução clínica e procedimentos realizados, o PTS é um plano estratégico de intervenção. Ele foca na autonomia do sujeito, na pactuação de metas entre a equipe e a família, e na integração de diferentes saberes. O PTS pressupõe uma visão holística e dinâmica, sendo constantemente revisado conforme a evolução do caso e a mudança nas necessidades do paciente ou de seu núcleo familiar.
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