SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2026
Um paciente com esquizofrenia, diabetes mellitus tipo 2 descompensado e situação de vulnerabilidade social frequenta irregularmente a unidade de saúde e tem histórico de múltiplas internações. A equipe da APS, composta por médico, enfermeiro, assistente social e agente comunitário, decide elaborar um Projeto Terapêutico Singular para melhorar seu cuidado. Segundo a metodologia do PTS, qual deve ser o primeiro passo dessa construção?
PTS → 1º passo: Diagnóstico situacional e identificação de problemas prioritários.
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é uma ferramenta de cuidado para casos complexos, iniciando-se obrigatoriamente pelo diagnóstico e análise das vulnerabilidades do sujeito.
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas, para um sujeito individual ou coletivo, resultado da discussão coletiva de uma equipe interdisciplinar, com apoio matricial se necessário. Ele se fundamenta na Clínica Ampliada, que busca integrar diferentes saberes para compreender o processo saúde-doença em sua totalidade. Na prática da Estratégia Saúde da Família, o PTS permite que a equipe saia da fragmentação do cuidado. O primeiro passo, o diagnóstico, deve considerar não apenas a patologia (como a esquizofrenia ou o diabetes citados na questão), mas também a rede de apoio, os desejos do paciente e as barreiras sociais que impedem a adesão ao tratamento. Sem essa análise inicial profunda, as metas estabelecidas tendem a ser irreais e fadadas ao insucesso.
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é estruturado em quatro momentos principais: 1) Diagnóstico Situacional, que envolve a avaliação orgânica, psicológica e social do indivíduo; 2) Definição de Metas, onde a equipe e o usuário estabelecem objetivos a curto, médio e longo prazo; 3) Divisão de Responsabilidades, definindo o papel de cada membro da equipe e do próprio paciente no cuidado; e 4) Reavaliação, momento de monitorar os avanços e ajustar as condutas conforme a evolução do caso.
O PTS não é necessário para todos os pacientes da unidade. Ele é indicado para casos de alta complexidade clínica ou psicossocial, onde as intervenções convencionais e isoladas não estão sendo eficazes. Exemplos comuns incluem pacientes com múltiplas comorbidades descompensadas, transtornos mentais graves, situações de extrema vulnerabilidade social, ou casos de 'porta giratória' (múltiplas internações hospitalares sem resolução ambulatorial).
A principal diferença reside na construção coletiva e na visão biopsicossocial. Enquanto um plano de cuidado pode ser apenas uma prescrição médica, o PTS exige a participação ativa de uma equipe multiprofissional (médico, enfermeiro, assistente social, NASF) e, crucialmente, do próprio paciente. Ele foca na autonomia do sujeito e na singularidade de sua história de vida, indo além do diagnóstico puramente biológico.
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