Adesão ao Tratamento: Otimize com Projeto Terapêutico Singular

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Um homem com 48 anos de idade é obeso, tabagista e hipertenso há 6 anos, quando, devido a esse quadro, foi-lhe recomendada mudança do estilo de vida e prescrita farmacoterapia. Procura hoje a Unidade Básica de Saúde (UBS) com níveis tensionais elevados, glicemia alterada e referindo ter deixado de usar os medicamentos anti-hipertensivos prescritos dizendo "eles estão me fazendo sentir doente". O paciente relata que, durante a pandemia da COVID-19, deixou de seguir as orientações alimentares, de atividade física e de cessação do tabagismo. Para esse caso, a conduta a ser adotada pela equipe da UBS é

Alternativas

  1. A) construir um projeto terapêutico singular e pactuar com o paciente as propostas de ações para a mudança do estilo de vida e a adesão medicamentosa.
  2. B) esclarecer o paciente, no projeto terapêutico singular, sobre as consequências da não adesão ao tratamento, destacando o perigo dos potenciais danos clínicos e reiterando firmemente o aconselhamento.
  3. C) utilizar, no projeto terapêutico singular, a negação do paciente aos problemas apresentados e a adesão ao tratamento como formas de pressão para obtenção da mudança do estilo de vida.
  4. D) condicionar, na construção do projeto terapêutico singular, a adesão às mudança do estilo de vida e ao tratamento farmacológico e comunicar ao paciente que, se não seguir as orientações da equipe, não poderá mais ser atendido na UBS.

Pérola Clínica

Paciente não aderente em doenças crônicas → PTS com pactuação e escuta ativa é a melhor abordagem.

Resumo-Chave

Em casos de não adesão ao tratamento e estilo de vida em doenças crônicas, a abordagem mais eficaz na Atenção Primária é a construção de um Projeto Terapêutico Singular (PTS). Este deve ser pactuado com o paciente, valorizando sua autonomia e considerando suas dificuldades e percepções, em vez de apenas reiterar advertências.

Contexto Educacional

A não adesão ao tratamento e às mudanças de estilo de vida é um desafio significativo no manejo das doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Fatores como efeitos colaterais, esquemas complexos, crenças pessoais, barreiras socioeconômicas e falta de suporte podem contribuir para a descontinuidade do cuidado. A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel crucial na abordagem desses pacientes. O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é uma ferramenta da APS que promove uma abordagem centrada no paciente, reconhecendo sua autonomia e corresponsabilidade no processo de cuidado. Ele envolve a escuta qualificada, a identificação das necessidades e desejos do paciente, a discussão das opções terapêuticas e a construção conjunta de um plano de ação, que inclui tanto a farmacoterapia quanto as modificações de estilo de vida. A equipe de saúde deve utilizar estratégias como a entrevista motivacional para auxiliar o paciente a superar a ambivalência e fortalecer sua motivação para a mudança. A pactuação das metas e a flexibilidade na abordagem são fundamentais para promover a adesão sustentável, resultando em melhores desfechos clínicos e maior qualidade de vida para o paciente.

Perguntas Frequentes

O que é um Projeto Terapêutico Singular (PTS)?

O PTS é um conjunto de propostas de condutas articuladas para um indivíduo ou coletivo, resultado da discussão e pactuação entre a equipe de saúde e o usuário. Ele visa construir um plano de cuidados personalizado, considerando as necessidades e desejos do paciente.

Como a entrevista motivacional se relaciona com o PTS?

A entrevista motivacional é uma ferramenta essencial na construção do PTS, pois ajuda a explorar e resolver a ambivalência do paciente em relação à mudança, fortalecendo sua motivação intrínseca e promovendo a adesão de forma colaborativa e não confrontacional.

Quais são os pilares da abordagem da não adesão em doenças crônicas?

Os pilares incluem a escuta ativa do paciente, a identificação de barreiras à adesão, a educação em saúde de forma compreensível, o estabelecimento de metas realistas e pactuadas, e o acompanhamento contínuo e flexível da equipe de saúde.

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