Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Homem de 85 anos de idade tem uma taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) de 45 mL/min/1,73m². Ele se sente bem e está saudável. Os níveis de eletrólitos estão dentro dos limites normais, com potássio de 5,0 mEq/L. A relação albumina/creatinina urinária é de 12 mg/g de creatinina. A maior probabilidade para esse paciente é que
Idosos com DRC estável e leve/moderada (TFGe 45) → maior risco de mortalidade por outras causas do que progressão para DRCT.
Em pacientes muito idosos com doença renal crônica (DRC) de estágio inicial a moderado, a probabilidade de morrer por outras causas (cardiovasculares, infecções, etc.) é significativamente maior do que a de progredir para doença renal crônica em estágio terminal (DRCT) que exija diálise ou transplante. A TFGe de 45 mL/min/1,73m² em um idoso de 85 anos, sem albuminúria significativa e com eletrólitos normais, sugere uma DRC estável e bem compensada.
A Doença Renal Crônica (DRC) é prevalente em idosos, mas seu prognóstico é complexo e difere dos pacientes mais jovens. Em idades avançadas, a TFGe tende a diminuir fisiologicamente, e a presença de comorbidades é a regra, não a exceção. É crucial entender que, para muitos idosos com DRC estável e de estágios iniciais a moderados (como G3a), o risco de mortalidade por outras causas, como doenças cardiovasculares, infecções ou neoplasias, supera o risco de progressão para a doença renal crônica em estágio terminal (DRCT) que exija terapia renal substitutiva. O manejo da DRC em idosos foca na otimização do controle das comorbidades, na prevenção de complicações e na manutenção da qualidade de vida, em vez de uma preocupação excessiva com a progressão para DRCT. A avaliação da albuminúria é fundamental, pois níveis elevados indicam maior risco de progressão. No caso apresentado, a ausência de albuminúria significativa (12 mg/g) e a estabilidade clínica reforçam um prognóstico favorável em relação à progressão renal. Para residentes, é essencial desenvolver uma perspectiva geriátrica na avaliação da DRC, reconhecendo que a idade avançada por si só é um fator de risco para mortalidade geral e que a DRC em idosos muitas vezes segue um curso mais benigno em termos de progressão para DRCT. A decisão de intervenções agressivas deve sempre ponderar o benefício em relação à expectativa de vida e à qualidade de vida do paciente.
O principal fator é a presença de comorbidades associadas, como doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão, que aumentam significativamente o risco de mortalidade por outras causas antes que a DRC progrida para o estágio terminal.
Uma TFGe de 45 mL/min/1,73m² em um idoso de 85 anos indica DRC estágio G3a. Embora seja uma redução da função renal, a taxa de declínio é geralmente lenta nessa faixa etária, e muitos pacientes não atingem a DRCT ao longo da vida.
Sim, a albuminúria é um marcador importante de risco de progressão da DRC e de eventos cardiovasculares. No caso apresentado, a relação albumina/creatinina urinária de 12 mg/g é normal (A1), indicando um risco baixo de progressão renal e cardiovascular.
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