Afogamento: Fatores Prognósticos e Classificação de Gravidade

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023

Enunciado

Em relação ao afogamento, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Grau 1 é aquele em que o paciente se apresenta com ausculta normal e não há tosse.
  2. B) Grau 2 é aquele em que o paciente se apresenta com ausculta normal e há tosse.
  3. C) A presença de pH < 7,1 na sala de emergência é considerada um critério de pior prognóstico.
  4. D) A população sob maior risco de morte por afogamento no Brasil são homens entre 3 e 10 anos de idade.
  5. E) Pacientes com maior taxa de sobrevivência no Brasil são aqueles classificados com Grau 2 e 3.

Pérola Clínica

Afogamento: pH < 7,1 na emergência → pior prognóstico (acidose grave).

Resumo-Chave

Em casos de afogamento, a presença de acidose metabólica grave (pH < 7,1) na admissão é um forte indicador de pior prognóstico, refletindo hipóxia tecidual prolongada e disfunção orgânica. A classificação de afogamento varia de grau 1 (sem sintomas) a grau 6 (parada cardiorrespiratória).

Contexto Educacional

O afogamento é uma causa significativa de morbidade e mortalidade global, especialmente em crianças e jovens. É definido como o processo de sofrer comprometimento respiratório pela submersão ou imersão em líquido. A gravidade do quadro clínico pode variar amplamente, desde uma tosse leve até a parada cardiorrespiratória, e a avaliação prognóstica é crucial para guiar o manejo e informar a família. A fisiopatologia do afogamento envolve primariamente a hipóxia, que resulta da aspiração de líquido para as vias aéreas, levando a laringoespasmo e/ou lesão pulmonar direta. A hipóxia prolongada causa acidose metabólica, disfunção miocárdica, cerebral e de múltiplos órgãos. A hipotermia é uma complicação comum, especialmente em águas frias, e pode ter efeitos protetores, mas também agravar a disfunção cardíaca. O diagnóstico de gravidade é feito clinicamente, com escalas que variam de graus leves a graves, e por exames laboratoriais. O tratamento inicial do afogamento foca na correção da hipóxia e acidose, suporte ventilatório, reanimação cardiopulmonar se necessário, e manejo da hipotermia. A presença de acidose metabólica grave, refletida por um pH arterial < 7,1 na sala de emergência, é um dos mais fortes preditores de pior prognóstico, indicando hipóxia tecidual profunda e prolongada. Outros fatores incluem tempo de submersão, Glasgow na chegada e necessidade de RCP. O prognóstico é melhor para pacientes que chegam conscientes e sem necessidade de ventilação mecânica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de pior prognóstico em vítimas de afogamento?

Fatores de pior prognóstico em afogamento incluem tempo de submersão prolongado, parada cardiorrespiratória no local ou na chegada, necessidade de reanimação cardiopulmonar prolongada, hipotermia grave, Glasgow baixo, e acidose metabólica grave (pH < 7,1) na admissão.

Como é feita a classificação de gravidade do afogamento?

A classificação de gravidade do afogamento varia, mas geralmente utiliza graus que vão desde o grau 1 (vítima consciente, sem sintomas respiratórios) até o grau 6 (parada cardiorrespiratória). Os graus intermediários envolvem tosse, espuma na boca/nariz, sibilância, crepitações e edema agudo de pulmão.

Por que um pH < 7,1 é um indicador de mau prognóstico no afogamento?

Um pH arterial inferior a 7,1 indica acidose metabólica grave, que é um reflexo da hipóxia tecidual prolongada e da má perfusão orgânica. Essa acidose severa está associada a disfunção miocárdica, cerebral e de múltiplos órgãos, aumentando significativamente o risco de sequelas neurológicas e óbito.

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