SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Um homem de 45 anos encontra-se internado há 5 dias em leito de UTI devido a quadro de choque séptico de foco cutâneo (abscesso perianal) revertido após drenagem cirúrgica. Em uso de noradrenalina em baixas doses e necessidade de ventilação mecânica há 3 dias, por quadro de insuficiência respiratória secundária à pneumonia hospitalar. Hoje, foi submetido à sondagem nasoenteral para alimentação. Exames laboratoriais revelam melhora lenta, porém progressiva do quadro infeccioso. Exames laboratoriais: • Hb: 9,8 mg/dL; • Leucócitos: 11.000; • PCR de 2,2 (antes 6,2); • INR de 2,2; • Plaquetas de 58.000/mm³. A equipe médica discute a necessidade de profilaxia medicamentosa para úlcera de estresse com Inibidor da Bomba de Prótons (IBP). Assinale a alternativa correta:
VM > 48h ou Coagulopatia (Plaquetas < 50k / INR > 1.5) → Indicação formal de profilaxia para úlcera de estresse.
A profilaxia com IBP é indicada em pacientes críticos com fatores de risco maiores, como ventilação mecânica prolongada e coagulopatia, visando reduzir sangramentos digestivos clinicamente significativos.
A úlcera de estresse decorre da hipoperfusão da mucosa gástrica em estados de choque ou estresse fisiológico extremo, levando à perda dos mecanismos de defesa citoprotetores e aumento da agressão ácida. A profilaxia visa manter o pH gástrico acima de 4.0 para prevenir erosões e hemorragias digestivas altas. O manejo exige equilíbrio entre o risco de sangramento e as complicações da supressão ácida, como infecções. No caso clínico, o paciente apresenta VM e plaquetopenia (58.000, mas com INR de 2,2), o que configura indicação clara de profilaxia medicamentosa.
Os dois critérios independentes mais aceitos na literatura (estudo de Cook et al.) são a ventilação mecânica por mais de 48 horas e a presença de coagulopatia (definida como plaquetas < 50.000/mm³, INR > 1,5 ou TTPa > 2 vezes o controle). Pacientes com esses fatores apresentam risco significativamente elevado de sangramento gastrointestinal clinicamente importante, justificando o uso de IBPs ou antagonistas H2.
Sim, o uso de supressores de acidez gástrica (IBPs e Antagonistas H2) está associado a um aumento teórico do risco de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) e infecção por Clostridioides difficile. Isso ocorre devido à quebra da barreira ácida gástrica, permitindo a colonização bacteriana e posterior microaspiração. No entanto, em pacientes com fatores de risco maiores para sangramento, o benefício da profilaxia supera esses riscos potenciais.
Embora a nutrição enteral precoce tenha um efeito protetor na mucosa gástrica ao manter o fluxo sanguíneo esplâncnico e o trofismo celular, as diretrizes atuais (como o Surviving Sepsis Campaign) ainda recomendam a profilaxia farmacológica em pacientes que possuem os fatores de risco maiores (VM ou coagulopatia), mesmo que estejam recebendo dieta enteral, pois a evidência de proteção isolada pela dieta ainda é insuficiente nesses subgrupos.
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