Profilaxia TVP/TEP: Manejo de Anticoagulantes Pré-Cirurgia

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2022

Enunciado

Sobre os cuidados no pré-operatório, cuja finalidade é diminuir o risco de complicações de um paciente cirúrgico, em especial na avaliação dos riscos de TVP/TEP, marque a alternativa errada:

Alternativas

  1. A) No paciente com baixo risco, deveremos fazer profilaxia com movimentação ativa dos MMII, deambulação precoce, uso de meias elásticas até a coxa e uso de compressão pneumática se acamado.
  2. B) São contraindicações absolutas de profilaxia do TVP: hipersensibilidade (trombocitopenia induzida pela heparina) e sangramento ativo. 
  3. C) Para os pacientes em uso de Varfarina (anticoagulante oral), esta deve ser suspensa na véspera da cirurgia. 
  4. D) Em pacientes com uso de enoxaparina, esta deve ser suspensa 12 horas antes da cirurgia; se em uso de HNF em bomba de infusão contínua, a suspensão pode ocorrer 2 horas antes da cirurgia.
  5. E) Pacientes com alto risco poderão fazer profilaxia com medidas não farmacológicas e enoxaparina 40mg SC 1 x dia. 

Pérola Clínica

Varfarina deve ser suspensa ANTES da véspera da cirurgia, com ponte de heparina, para evitar sangramento e manter profilaxia.

Resumo-Chave

A varfarina, um anticoagulante oral, tem meia-vida longa e seu efeito anticoagulante persiste por vários dias após a suspensão. Suspender apenas na véspera da cirurgia é insuficiente para normalizar a coagulação, aumentando o risco de sangramento intraoperatório. O protocolo correto envolve a suspensão com antecedência e, em pacientes de alto risco trombótico, a realização de 'ponte' com heparina de baixo peso molecular ou não fracionada.

Contexto Educacional

A profilaxia de trombose venosa profunda (TVP) e tromboembolismo pulmonar (TEP) é um pilar fundamental nos cuidados pré-operatórios, visando reduzir a morbimortalidade em pacientes cirúrgicos. A avaliação do risco trombótico e hemorrágico individual é essencial para determinar a estratégia profilática mais adequada, que pode incluir medidas não farmacológicas (mobilização precoce, meias de compressão, compressão pneumática intermitente) e/ou farmacológicas (heparinas, fondaparinux). Um ponto crítico no manejo pré-operatório é a abordagem de pacientes em uso de anticoagulantes orais, como a varfarina. A varfarina inibe a síntese de fatores de coagulação dependentes de vitamina K e possui uma meia-vida longa, o que significa que seu efeito anticoagulante persiste por vários dias após a suspensão. Suspender a varfarina apenas na véspera da cirurgia é inadequado, pois o INR (International Normalized Ratio) não terá tempo suficiente para normalizar, resultando em alto risco de sangramento intraoperatório. A conduta correta para pacientes em uso de varfarina que necessitam de cirurgia eletiva envolve a suspensão do medicamento 5 a 7 dias antes do procedimento. Para pacientes com alto risco trombótico (ex: prótese valvar mecânica, fibrilação atrial de alto risco), é indicada a terapia ponte com heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada (HNF), que são suspensas mais próximas da cirurgia e reiniciadas no pós-operatório, minimizando tanto o risco de trombose quanto o de sangramento.

Perguntas Frequentes

Qual o tempo ideal para suspender a varfarina antes de uma cirurgia eletiva?

A varfarina deve ser suspensa 5 a 7 dias antes da cirurgia, permitindo que o INR retorne a níveis seguros. Em pacientes com alto risco trombótico, é indicada a terapia ponte com heparina.

O que é a terapia ponte com heparina no pré-operatório?

A terapia ponte consiste em suspender o anticoagulante oral (ex: varfarina) e iniciar um anticoagulante de ação rápida (heparina de baixo peso molecular ou não fracionada) por um período, suspendendo-o pouco antes da cirurgia e reiniciando-o no pós-operatório.

Quais são as contraindicações absolutas para a profilaxia farmacológica de TVP?

As contraindicações absolutas incluem sangramento ativo, trombocitopenia grave (especialmente Trombocitopenia Induzida por Heparina - TIH), e hipersensibilidade conhecida aos agentes profiláticos.

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