Profilaxia em Cirurgia Colorretal: TVP e Infecção

AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2022

Enunciado

Paciente masculino de 62 anos, hígido previamente, deverá ser submetido a retossigmoidectomia para adenocarcinoma de sigmoide amanhã pela manhã. Estão corretas, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Deverá ser realizada antibioticoprofilaxia, tendo em vista que se trata de cirurgia potencialmente contaminada.
  2. B) Antibioticoprofilaxia deverá cobrir germes gram negativos e anaeróbios.
  3. C) Desnutrição é fator de risco para complicações infecciosas e deiscência de anastomose, podendo ser avaliada, entre outras formas, pela albumina sérica pré-operatória.
  4. D) Paciente é de moderado risco para trombose venosa profunda, devendo realizar profilaxia medicamentosa.

Pérola Clínica

Cirurgia colorretal = alto risco TVP, sempre profilaxia medicamentosa (exceto contraindicação).

Resumo-Chave

Cirurgias colorretais, como a retossigmoidectomia, são consideradas de alto risco para trombose venosa profunda (TVP) devido à natureza da cirurgia, tempo prolongado e fatores de risco do paciente. Portanto, a profilaxia medicamentosa para TVP é rotineiramente indicada, a menos que haja contraindicações específicas.

Contexto Educacional

A preparação para cirurgias de grande porte, como a retossigmoidectomia para adenocarcinoma, envolve uma série de medidas profiláticas essenciais para reduzir a morbidade e mortalidade pós-operatória. A antibioticoprofilaxia é um pilar fundamental, especialmente em cirurgias classificadas como potencialmente contaminadas, onde há abertura de vísceras ocas com conteúdo bacteriano. O objetivo é reduzir a carga bacteriana no sítio cirúrgico e prevenir infecções. A escolha do antibiótico deve cobrir o espectro esperado da flora intestinal, que inclui bactérias Gram-negativas entéricas e anaeróbios. Cefalosporinas de segunda geração (como cefoxitina) ou a combinação de um beta-lactâmico com inibidor de beta-lactamase (como ampicilina-sulbactam) ou metronidazol com uma cefalosporina de terceira geração são opções comuns. A administração deve ocorrer na indução anestésica para garantir níveis teciduais adequados no momento da incisão. Além da profilaxia infecciosa, a prevenção de tromboembolismo venoso (TEV), que inclui trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP), é crítica. Pacientes submetidos a cirurgias oncológicas abdominais, especialmente com idade avançada e tempo cirúrgico prolongado, são considerados de alto risco para TEV. A profilaxia medicamentosa com heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada (HNF), combinada com medidas mecânicas (meias de compressão, compressão pneumática intermitente), é a conduta padrão, estendendo-se por várias semanas no pós-operatório em casos selecionados. A avaliação nutricional pré-operatória, com marcadores como albumina sérica, também é importante, pois a desnutrição aumenta o risco de complicações.

Perguntas Frequentes

Qual a classificação de risco infeccioso para retossigmoidectomia?

A retossigmoidectomia é classificada como cirurgia potencialmente contaminada, pois envolve a manipulação de órgãos com flora bacteriana significativa, exigindo antibioticoprofilaxia.

Quais germes devem ser cobertos na antibioticoprofilaxia para cirurgia colorretal?

A antibioticoprofilaxia para cirurgia colorretal deve cobrir tanto germes Gram-negativos (como E. coli) quanto anaeróbios (como Bacteroides fragilis), que são os principais patógenos envolvidos em infecções do sítio cirúrgico.

Qual o risco de trombose venosa profunda em cirurgia colorretal e qual a profilaxia indicada?

Cirurgias colorretais são consideradas de alto risco para TVP. A profilaxia medicamentosa (heparina de baixo peso molecular ou heparina não fracionada) é fortemente recomendada, associada a medidas mecânicas, a menos que haja contraindicações.

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