Profilaxia de TEV na Insuficiência Renal Grave

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente feminina, 35 anos de idade, obesa (IMC 34 kg/m²), internada no primeiro dia por colecistite aguda, apresentou clearance de creatinina estimado 28 mL/min/1,73 m². Referiu histórico de trombose venosa profunda já há 5 anos, ocorrida após uma viagem internacional de avião, que foi tratada com anticoagulação por seis meses sem recidiva. Com base nesse caso clínico hipotético e considerando o perfil de risco para TEV, assinale a opção que apresenta a conduta adequada para a profilaxia de TEV.

Alternativas

  1. A) Heparina de baixo peso molecular 40 mg SC uma vez ao dia.
  2. B) Heparina de baixo peso molecular 40 mg SC 12/12 horas.
  3. C) Heparina em bomba de infusão contínua.
  4. D) Heparina não fracionada 5.000 ui SC de 8/8 horas.
  5. E) Warfarina conforme INR.

Pérola Clínica

CrCl < 30 mL/min → Preferir Heparina Não Fracionada (HNF) 5.000 UI 8/8h para profilaxia.

Resumo-Chave

Em pacientes com disfunção renal grave (CrCl < 30 mL/min), a Heparina Não Fracionada é a escolha preferencial para profilaxia de TEV devido ao risco de acúmulo e sangramento das HBPM.

Contexto Educacional

A profilaxia do Tromboembolismo Venoso (TEV) é uma das medidas de segurança hospitalar mais importantes. A escolha do agente farmacológico deve considerar o perfil de risco do paciente (escores como Caprini ou Padua) e suas comorbidades, sendo a função renal o principal limitador para o uso de HBPM. A Heparina Não Fracionada (HNF) atua acelerando a ação da antitrombina III, inibindo a trombina e o fator Xa. Sua meia-vida curta e reversibilidade rápida com protamina a tornam segura em pacientes com instabilidade ou disfunção orgânica. Em pacientes com CrCl < 30 mL/min, a HNF 5.000 UI SC 8/8h oferece proteção eficaz contra TVP e Embolia Pulmonar sem o risco de intoxicação por falha na excreção renal.

Perguntas Frequentes

Por que evitar HBPM na insuficiência renal grave?

As Heparinas de Baixo Peso Molecular (HBPM), como a enoxaparina, são eliminadas predominantemente por via renal. Em pacientes com clearance de creatinina inferior a 30 mL/min, ocorre uma redução significativa na depuração da droga, levando ao seu acúmulo no organismo (bioacumulação). Isso aumenta drasticamente o risco de complicações hemorrágicas. Embora existam protocolos de ajuste de dose, a Heparina Não Fracionada (HNF) é geralmente preferida por ter metabolismo hepático e celular, não dependendo da função renal.

Qual a dose de HNF para profilaxia de TEV?

A dose padrão de Heparina Não Fracionada (HNF) para profilaxia de tromboembolismo venoso em pacientes hospitalizados de alto risco é de 5.000 UI por via subcutânea, administrada a cada 8 horas (3 vezes ao dia). Em pacientes de risco moderado, a administração a cada 12 horas pode ser considerada, mas em cenários de alto risco (como obesidade e histórico de TVP), o esquema de 8/8h é o mais recomendado pelas diretrizes.

Quais pacientes são considerados de alto risco para TEV?

O risco é determinado por fatores do paciente e do evento agudo. Fatores de alto risco incluem: idade avançada, obesidade (IMC > 30), histórico prévio de TEV, neoplasias ativas, imobilização prolongada, grandes cirurgias (especialmente ortopédicas ou oncológicas) e estados inflamatórios agudos, como a colecistite. No caso clínico, a paciente soma obesidade, histórico de TVP e um processo inflamatório cirúrgico, classificando-a como alto risco.

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