UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Em pacientes idosos submetidos à cirurgia do andar superior do abdômen, a anticoagulação oral profilática no pós-operatório imediato, com acesso ao tubo digestivo liberado, poderá ser feita com:
Acesso oral liberado + profilaxia TEV → DOACs (ex: Rivaroxabana) são opções eficazes e práticas.
Em pacientes idosos com trato gastrointestinal funcional após cirurgia abdominal, os anticoagulantes orais diretos (DOACs) como a Rivaroxabana são alternativas seguras às heparinas injetáveis para profilaxia de TEV.
A profilaxia do tromboembolismo venoso (TEV) é um pilar fundamental no cuidado perioperatório, especialmente em idosos e em cirurgias oncológicas ou abdominais de grande porte, que são estados pro-trombóticos per se. Historicamente, a Enoxaparina (heparina de baixo peso molecular) tem sido o padrão-ouro devido à sua previsibilidade, mas a via subcutânea pode ser um limitador para o conforto do paciente no seguimento. Com o advento dos Anticoagulantes Orais Diretos (DOACs), como a Rivaroxabana, Apixabana e Edoxabana, o cenário mudou. Essas drogas permitem uma transição suave para a profilaxia oral assim que o paciente tolera a ingestão de comprimidos. É crucial, no entanto, avaliar a função renal (clearance de creatinina) e o risco de sangramento gastrointestinal específico da cirurgia realizada antes de iniciar esses agentes no pós-operatório imediato.
A Rivaroxabana, um inibidor direto do fator Xa, oferece a vantagem da administração oral em dose fixa, dispensando a necessidade de monitorização laboratorial rotineira do tempo de protrombina, ao contrário da varfarina. Em pacientes idosos submetidos a cirurgias de grande porte, como as do andar superior do abdômen, a facilidade de administração após a liberação da dieta oral melhora a adesão e reduz o desconforto das aplicações subcutâneas de heparina. Estudos demonstram que sua eficácia na prevenção de trombose venosa profunda e embolia pulmonar é comparável à das heparinas de baixo peso molecular, com um perfil de segurança hemorrágica aceitável, desde que a função renal do paciente seja monitorada, especialmente na população geriátrica.
A varfarina possui um início de ação lento, dependendo da depleção dos fatores de coagulação dependentes de vitamina K (II, VII, IX e X), o que leva geralmente de 3 a 5 dias para atingir o nível terapêutico desejado. No pós-operatório imediato, a necessidade de proteção contra eventos tromboembólicos é aguda. Além disso, a varfarina exige monitorização frequente do RNI (Relação Normatizada Internacional) e possui inúmeras interações medicamentosas e alimentares, o que torna seu manejo complexo em um paciente que está recuperando a função digestiva e recebendo múltiplas medicações pós-cirúrgicas. Os DOACs superam essas limitações com um pico de ação rápido.
Não, o clopidogrel é um antiagregante plaquetário que atua inibindo o receptor P2Y12 de ADP nas plaquetas. Sua principal indicação é na prevenção de eventos aterotrombóticos arteriais, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral isquêmico, ou após angioplastias com stent. Para a profilaxia de tromboembolismo venoso (TEV), que envolve a formação de trombos ricos em fibrina em sistemas de baixa pressão, são necessários anticoagulantes que atuem na cascata de coagulação, como as heparinas, os antagonistas da vitamina K ou os inibidores diretos do fator Xa ou da trombina.
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