Profilaxia de TEV em Pacientes Hospitalizados: Guia Essencial

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Paulo, 58 anos, com histórico de trauma raquimedular prévio, portador de bexiga neurogênica e com múltiplos internamentos por infecção do trato urinário, é admitido em unidade de internamento com quadro de pielonefrite. Após 5 dias de tratamento com ciprofloxacino, não apresenta melhora e sua urocultura revela crescimento de Escherichia coli resistente às quinolonas e produtora de Betalactamase de espectro estendido. Para esse paciente, no ambiente hospitalar, está indicado profilaxia para

Alternativas

  1. A) úlcera de stress com uso de antiácidos orais.
  2. B) delirium com uso de haloperidol.
  3. C) tromboembolismo venoso com uso de meias elásticas.
  4. D) delirium com uso de ácido valproico.
  5. E) tromboembolismo venoso, com uso de Enoxaparina na dose de 40mg, por via subcutânea, uma vez ao dia.

Pérola Clínica

Paciente hospitalizado com múltiplos fatores de risco (idade, trauma, infecção grave) → profilaxia farmacológica para TEV com Enoxaparina 40mg SC/dia.

Resumo-Chave

Pacientes internados, especialmente aqueles com condições crônicas como trauma raquimedular, bexiga neurogênica e infecções graves, possuem alto risco para tromboembolismo venoso. A profilaxia farmacológica com heparina de baixo peso molecular, como a enoxaparina, é fundamental para prevenir complicações como trombose venosa profunda e embolia pulmonar.

Contexto Educacional

O tromboembolismo venoso (TEV), que engloba a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (EP), é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes hospitalizados. A incidência de TEV é particularmente alta em pacientes clínicos com múltiplos fatores de risco, como idade avançada, imobilidade prolongada, infecções graves, câncer e comorbidades crônicas, como o trauma raquimedular e a bexiga neurogênica, que predispõem à estase venosa e hipercoagulabilidade. O reconhecimento desses fatores é crucial para a implementação de medidas preventivas eficazes. A fisiopatologia do TEV envolve a tríade de Virchow: estase sanguínea, lesão endotelial e hipercoagulabilidade. Em pacientes com trauma raquimedular, a paralisia e a imobilidade resultam em estase venosa significativa nos membros inferiores. Infecções graves, como a pielonefrite, induzem um estado pró-inflamatório e pró-trombótico. O diagnóstico de risco é feito por meio de escores clínicos (ex: escore de Padua ou Caprini), que auxiliam na decisão sobre a necessidade de profilaxia. A profilaxia do TEV é um pilar fundamental no manejo do paciente internado. Para pacientes de alto risco, a profilaxia farmacológica com heparina de baixo peso molecular (HBPM), como a enoxaparina em dose de 40mg por via subcutânea uma vez ao dia, é a conduta padrão. As meias de compressão graduada e a compressão pneumática intermitente são opções para pacientes com contraindicações à anticoagulação. A escolha da profilaxia adequada reduz significativamente o risco de eventos trombóticos e melhora o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para tromboembolismo venoso em pacientes hospitalizados?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, imobilidade prolongada, cirurgias recentes (especialmente ortopédicas e oncológicas), trauma, câncer, doenças inflamatórias, infecções graves, insuficiência cardíaca, obesidade, trombofilias e histórico prévio de TEV.

Qual a conduta para profilaxia de TEV em pacientes clínicos de alto risco?

Em pacientes clínicos de alto risco, a profilaxia farmacológica é indicada, geralmente com heparina de baixo peso molecular (HBPM) como a enoxaparina (40mg SC uma vez ao dia) ou heparina não fracionada. Medidas mecânicas, como meias de compressão graduada, podem ser adjuvantes ou usadas em contraindicações à farmacológica.

Por que pacientes com trauma raquimedular e bexiga neurogênica têm risco aumentado de TEV?

Pacientes com trauma raquimedular frequentemente apresentam imobilidade significativa e disfunção autonômica, que contribuem para estase venosa. A bexiga neurogênica, por si só, não é um fator direto, mas está associada a condições que aumentam o risco de hospitalização e imobilidade, elevando o risco global de TEV.

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