UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Paciente feminina, 43 anos, com história de 6 meses de dor epigástrica inespecífica, vômitos, saciedade precoce e perda ponderal. Apresenta diagnóstico de hipotireoidismo e nega cirurgias prévias, tabagismo ou etilismo. Refere que sua mãe é portadora de diabetes e o pai é falecido por tromboembolismo pulmonar. Realizou endoscopia digestiva alta com diagnóstico de adenocarcinoma gástrico bem diferenciado no antro gástrico. O estadiamento clínico não revela comprometimento linfonodal ou metástase à distância. Considerando o tratamento e os cuidados perioperatórios para a paciente do caso acima, assinale a afirmativa correta.
Cirurgia oncológica abdominal → Profilaxia TEV com HBPM no pós-operatório é mandatória.
Pacientes submetidos a cirurgia oncológica abdominal, como a gastrectomia para adenocarcinoma gástrico, possuem alto risco de tromboembolismo venoso (TEV). A profilaxia farmacológica com heparina de baixo peso molecular (HBPM) é essencial no pós-operatório para prevenir essa complicação grave.
O adenocarcinoma gástrico é uma das neoplasias mais comuns e agressivas do trato gastrointestinal, com alta morbimortalidade. A apresentação clínica, como dor epigástrica, vômitos, saciedade precoce e perda ponderal, é inespecífica e frequentemente indica doença avançada. O estadiamento preciso é fundamental para guiar o tratamento, que geralmente envolve cirurgia, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia. A cirurgia é o pilar do tratamento curativo, especialmente para doença localizada. Pacientes com câncer e submetidos a cirurgias de grande porte, como a gastrectomia, apresentam um risco significativamente elevado de desenvolver tromboembolismo venoso (TEV), incluindo trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP). Esse risco é multifatorial, envolvendo o estado de hipercoagulabilidade associado ao câncer, a lesão endotelial e a estase venosa decorrentes da cirurgia e da imobilização pós-operatória. A profilaxia de TEV é, portanto, um componente crítico dos cuidados perioperatórios para esses pacientes. A profilaxia farmacológica de TEV com heparina de baixo peso molecular (HBPM) é a conduta padrão e recomendada no pós-operatório de cirurgias oncológicas abdominais. A HBPM demonstrou ser eficaz e segura, com um perfil de risco-benefício favorável. Outras considerações perioperatórias incluem a antibioticoprofilaxia, que deve cobrir os germes esperados na flora gástrica e intestinal superior (principalmente Gram-positivos e Gram-negativos), e um estadiamento oncológico completo, que geralmente inclui endoscopia, tomografia computadorizada de tórax e abdome, e, em casos selecionados, laparoscopia diagnóstica. O PET-CT não é universalmente mandatória para o estadiamento inicial do câncer gástrico.
Os principais fatores de risco para TEV em pacientes com câncer gástrico incluem a própria doença neoplásica (estado protrombótico), a cirurgia de grande porte (gastrectomia), a imobilização prolongada no pós-operatório, idade avançada, obesidade e história prévia de TEV. A combinação desses fatores eleva substancialmente o risco.
A HBPM é preferível devido à sua maior biodisponibilidade, meia-vida mais longa (permitindo uma ou duas doses diárias), menor necessidade de monitorização laboratorial e menor risco de plaquetopenia induzida por heparina (HIT) em comparação com a heparina não fracionada. Sua eficácia na prevenção de TEV é bem estabelecida.
Para adenocarcinoma gástrico no antro, a gastrectomia subtotal com linfadenectomia D2 é geralmente a abordagem preferida. A linfadenectomia D2 envolve a remoção de linfonodos perigástricos e aqueles ao longo das artérias principais do tronco celíaco, oferecendo um estadiamento mais preciso e potencial benefício oncológico em centros especializados.
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