SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Um paciente de 23 anos de idade foi encaminhado à emergência com história de dor abdominal que migrou para a fossa ilíaca direita há dois dias. Ele queixa-se de náuseas, vômitos e dificuldade para se alimentar, nega febre e 1 episódio de fezes amolecidas no período. Ao exame físico, apresenta-se afebril, FC = 82 bpm, FR =18 irpm e SatO2 = 98%. Ao exame abdominal, apresenta dor à palpação de todo abdome e dor à descompressão brusca de fossa ilíaca direita. Os exames laboratoriais apresenta leucocitose, sem desvio. Acerca desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.A profilaxia de TVP está indicada em todo pós-operatório, e as medidas variam de acordo com o risco do paciente.
Profilaxia de TVP no pós-op → estratificação de risco (Caprini) + medidas farmacológicas/mecânicas.
A profilaxia de tromboembolismo venoso (TEV) é mandatória em pacientes cirúrgicos, devendo ser individualizada conforme o escore de risco do paciente e o porte do procedimento.
A profilaxia do tromboembolismo venoso (TEV) é um pilar fundamental da segurança do paciente cirúrgico. O TEV, que engloba a trombose venosa profunda (TVP) e o tromboembolismo pulmonar (TEP), representa uma das causas mais comuns de morte evitável em hospitais. A decisão clínica deve ser baseada em protocolos institucionais que utilizam ferramentas validadas, como o Escore de Caprini, para ponderar fatores intrínsecos do paciente e a complexidade do ato operatório. No caso de uma apendicectomia em paciente jovem, embora o risco possa ser considerado baixo, a avaliação sistemática garante que medidas como a deambulação precoce sejam incentivadas e que riscos adicionais ocultos sejam identificados.
A estratificação de risco para tromboembolismo venoso (TEV) no ambiente cirúrgico é frequentemente realizada através do Escore de Caprini. Este sistema atribui pontos a diversos fatores de risco, como idade, tipo de cirurgia, tempo de imobilização, histórico pessoal ou familiar de trombose, e presença de malignidade. Com base na pontuação total, o paciente é classificado em risco muito baixo, baixo, moderado ou alto. Essa classificação direciona a escolha entre deambulação precoce, métodos mecânicos (meias elásticas ou compressão pneumática) e profilaxia farmacológica (geralmente heparina não fracionada ou de baixo peso molecular).
As medidas mecânicas incluem a deambulação precoce, o uso de meias de compressão graduada e a compressão pneumática intermitente (CPI). A deambulação é a medida mais simples e eficaz para pacientes de baixo risco. As meias elásticas auxiliam no retorno venoso, enquanto a CPI é particularmente útil em pacientes com alto risco de sangramento onde a profilaxia farmacológica é contraindicada, ou como adjuvante à heparina em pacientes de altíssimo risco.
O início da profilaxia farmacológica depende do equilíbrio entre o risco trombótico e o risco de sangramento cirúrgico. Em cirurgias gerais e abdominais, costuma-se iniciar a primeira dose de heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada (HNF) entre 2 a 12 horas após o término do procedimento, desde que a homeostase esteja garantida. Em alguns protocolos de alto risco, a primeira dose pode ser administrada no pré-operatório imediato.
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