Profilaxia TEV com Enoxaparina: Quando Indicar e Contraindicar

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021

Enunciado

Para os pacientes abaixo, assinale aquele em que estaria melhor indicada a profilaxia medicamentosa para tromboembolismo venoso com enoxaparina40 mg subcutânea uma vez ao dia.

Alternativas

  1. A) Homem de 55 anos com descompensação diabética. Não deambula, pois refere não ter o que fazer durante a internação e prefere permanecer deitado.
  2. B) Homem de 78 anos, com pneumonia, permanecendo no leito a maior parte do tempo devido dispneia e necessidade de cateter de oxigênio, com quadro de melena e queda de hemoglobina (10,0 para 6,0 g/dL).
  3. C) Homem de 58 anos, diabético, com celulite em membro inferior direito, com dor importante para deambulação, referindo apenas idas ao banheiro.
  4. D) Mulher de 72 anos, internada por pancitopenia e pneumonia, em uso de oxigênio suplementar e restrita ao leito por dispneia. Apresenta plaqueta de 35.000/mm3 e hemoglobina de 8,4 g/dL.

Pérola Clínica

Enoxaparina 40mg/dia para profilaxia TEV em paciente com risco moderado/alto e sem contraindicações de sangramento.

Resumo-Chave

A profilaxia para tromboembolismo venoso (TEV) é crucial em pacientes hospitalizados com fatores de risco. A enoxaparina 40 mg SC uma vez ao dia é uma dose comum, mas a indicação depende da avaliação do risco de TEV versus o risco de sangramento, sendo contraindicada em casos de sangramento ativo ou plaquetopenia grave.

Contexto Educacional

O tromboembolismo venoso (TEV), que engloba a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (EP), é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes hospitalizados. A profilaxia é fundamental para prevenir esses eventos, especialmente em pacientes clínicos com fatores de risco. A enoxaparina, uma heparina de baixo peso molecular, é amplamente utilizada para esse fim. A indicação da profilaxia medicamentosa deve ser baseada em uma avaliação cuidadosa do risco de TEV versus o risco de sangramento do paciente. Ferramentas como o escore de Padua ou o escore de Caprini podem auxiliar nessa avaliação. Fatores como imobilidade prolongada, infecção grave, câncer e idade avançada aumentam o risco de TEV, enquanto sangramento ativo, plaquetopenia grave ou cirurgia recente aumentam o risco de sangramento. No caso apresentado, o paciente da alternativa C (homem de 58 anos com celulite e dor importante para deambulação) possui fatores de risco para TEV (imobilidade relativa, infecção) e não apresenta contraindicações claras para a anticoagulação. Já os outros pacientes apresentam contraindicações importantes, como sangramento ativo (melena) ou plaquetopenia grave. A dose de 40 mg de enoxaparina subcutânea uma vez ao dia é a dose profilática padrão para a maioria dos pacientes com função renal normal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para tromboembolismo venoso em pacientes clínicos hospitalizados?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada (>60 anos), imobilidade prolongada, câncer, insuficiência cardíaca ou respiratória, infecção grave, obesidade, histórico prévio de TEV e trombofilia. A presença de múltiplos fatores aumenta significativamente o risco.

Quais são as contraindicações absolutas para a profilaxia medicamentosa de TEV?

As contraindicações absolutas incluem sangramento ativo, distúrbios de coagulação graves não corrigidos, plaquetopenia grave (<50.000/mm³), cirurgia recente de alto risco para sangramento (neurocirurgia, ocular) e hipersensibilidade ao medicamento.

Como a imobilidade contribui para o risco de TEV?

A imobilidade prolongada leva à estase venosa, um dos componentes da tríade de Virchow. A redução do fluxo sanguíneo nas veias das pernas favorece a ativação da cascata de coagulação e a formação de trombos, aumentando o risco de trombose venosa profunda e embolia pulmonar.

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