HIV em Recém-Nascidos: Profilaxia e Vacinação Essencial

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher jovem de 20 anos deu à luz, em casa de parto, um recém-nascido do sexo feminino em boas condições de vitalidade. No terceiro dia de vida, o interno de plantão verifica que o teste rápido anti - HIV materno foi positivo e a equipe ainda não tinha ciência. Nenhuma vacina ou medida de prevenção de transmissão vertical do HIV tinham sido implementadas até então. Sendo assim, qual seria a conduta adequada, neste momento, em relação ao recém-nascido?

Alternativas

  1. A) Iniciar zidovudina e nevirapina, aplicar BCG e vacina contra hepatite.
  2. B) Iniciar zidovudina e nevirapina, aplicar BCG e solicitar pesquisa de HbSAg.
  3. C) Não indicar uso de antirretrovirais e aplicar BCG e vacina contra hepatite B.
  4. D) Iniciar nevirapina isoladamente, aplicar BCG e vacina para Hepatite.

Pérola Clínica

RN exposto HIV: Iniciar ARV profilaxia o mais rápido possível (ideal <4h). BCG contraindicada até exclusão de infecção.

Resumo-Chave

A conduta para recém-nascidos expostos ao HIV, mesmo que tardiamente identificados, é iniciar a profilaxia antirretroviral o mais rápido possível (preferencialmente nas primeiras 4 horas de vida). A vacina BCG é contraindicada em RN expostos ao HIV até que a infecção seja definitivamente excluída, devido ao risco de BCGite disseminada. A vacina contra Hepatite B deve ser aplicada normalmente.

Contexto Educacional

A transmissão vertical do HIV, da mãe para o filho, é um desafio significativo na saúde pública. No Brasil, o Programa Nacional de Controle do HIV/AIDS tem diretrizes claras para a prevenção, que incluem o diagnóstico precoce da gestante, o tratamento antirretroviral durante a gravidez e parto, e a profilaxia para o recém-nascido. A identificação tardia da sorologia materna positiva, como no caso da questão, exige uma conduta rápida e assertiva para minimizar os riscos ao bebê. Para o recém-nascido exposto ao HIV, a profilaxia antirretroviral deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras quatro horas de vida, com zidovudina (AZT) e, em situações de maior risco, com a adição de nevirapina. Essa intervenção é crucial para reduzir a chance de infecção. Além disso, o acompanhamento sorológico do bebê é fundamental para confirmar ou excluir a infecção. No que tange à vacinação, a vacina contra Hepatite B deve ser administrada conforme o calendário vacinal. Contudo, a vacina BCG, por ser de vírus vivo atenuado, é contraindicada para recém-nascidos expostos ao HIV até que a infecção seja descartada, devido ao risco de complicações graves como a BCGite disseminada. O aleitamento materno também é contraindicado para mães soropositivas. É vital que os profissionais de saúde estejam atualizados com as diretrizes para garantir a melhor assistência e reduzir a transmissão vertical do HIV.

Perguntas Frequentes

Qual a profilaxia antirretroviral recomendada para RN exposto ao HIV?

A profilaxia padrão para RN expostos ao HIV é a zidovudina (AZT) por 4 semanas. Em casos de alto risco (mãe sem tratamento, carga viral elevada ou diagnóstico tardio), adiciona-se nevirapina por 6 semanas, iniciando o mais rápido possível após o nascimento.

Por que a vacina BCG é contraindicada em recém-nascidos expostos ao HIV?

A vacina BCG é uma vacina de vírus vivo atenuado. Em recém-nascidos com infecção por HIV, mesmo que assintomáticos, há risco aumentado de desenvolver BCGite disseminada, uma complicação grave. Portanto, a BCG só deve ser aplicada após a exclusão da infecção por HIV no bebê.

Quando o aleitamento materno é permitido para mães com HIV?

O aleitamento materno é contraindicado para mães com HIV, independentemente da carga viral ou do uso de antirretrovirais, devido ao risco de transmissão do vírus pelo leite. Recomenda-se o uso de fórmula infantil como substituto.

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