SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015
Paciente, 29 anos de idade, vítima de acidente de motocicleta há 18 horas, estável hemodinamicamente, apresenta feridas lácero-contusas em face, perna direita e pé direito por atrito com o asfalto, sem fraturas ósseas. Ao se realizar a limpeza das feridas da perna e do pé constatam-se corpos estranhos e terra. O paciente não recorda detalhes sobre a sua profilaxia para tétano. Frente ao quadro, indique a conduta terapêutica não cirúrgica.
Ferida suja/alto risco + vacinação incerta → Vacina + Imunoglobulina (ou SAT).
Em feridas de alto risco com histórico vacinal desconhecido, a conduta obrigatória é a imunização ativa (vacina) associada à passiva (soro ou imunoglobulina).
O manejo profilático do tétano baseia-se na classificação da ferida (limpa vs. alto risco) e no histórico vacinal do paciente. Feridas por atrito com asfalto contendo terra e corpos estranhos são classicamente de alto risco. O Clostridium tetani é um bacilo anaeróbio cujos esporos são encontrados no solo e podem germinar em tecidos com baixo potencial de oxirredução. Para pacientes com histórico vacinal incerto ou menos de 3 doses, a conduta em feridas de alto risco exige a aplicação imediata da vacina (dT ou DTPa) e da imunização passiva (IGHAT 250 UI ou SAT 5.000 UI). É fundamental documentar a orientação de completar o esquema vacinal posteriormente para garantir a imunidade a longo prazo.
Feridas de alto risco incluem aquelas com presença de corpos estranhos, terra, fezes, saliva, tecidos desvitalizados, queimaduras profundas, ferimentos por projéteis ou esmagamentos. No caso clínico, a presença de terra e corpos estranhos classifica a ferida como de alto risco, exigindo uma abordagem mais agressiva na profilaxia, especialmente se o status vacinal for desconhecido ou incompleto.
A IGHAT (ou o soro antitetânico - SAT) é indicada em feridas de alto risco quando o paciente possui histórico vacinal incerto, incompleto (menos de 3 doses) ou se a última dose foi há mais de 10 anos em feridas limpas (embora em feridas de alto risco o intervalo caia para 5 anos). No caso apresentado, como o paciente não recorda a vacinação e a ferida é suja, a imunização passiva é obrigatória junto com a vacina.
O Soro Antitetânico (SAT) é derivado de plasma equino, sendo mais propenso a reações de hipersensibilidade, enquanto a Imunoglobulina Humana Antitetânica (IGHAT) é de origem humana, possui meia-vida mais longa e menor risco de reações alérgicas. A IGHAT é preferível sempre que disponível, mas o SAT ainda é amplamente utilizado na rede pública brasileira devido ao custo e disponibilidade.
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