HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Mulher, 40 anos de idade, vítima de mordedura de cão na mão esquerda há duas horas. Nega comorbidades e alergias. Relata esquema vacinal completo para tétano, com última dose de reforço aos 32 anos de idade. Relata que o animal pertence a ela e apresenta todas as vacinas em dia. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, presença de laceração de 2,0cm em quarto quirodáctilo esquerdo, com discreto sangramento em "babação" (lesão mostrada a seguir). Perfusão, sensibilidade e motricidade preservadas em todos os quirodáctilos. Em relação ao caso clínico apresentado, é correto afirmar:
Mordedura animal: vacina tétano se >5 anos do último reforço; não imunoglobulina se esquema completo.
A paciente tem esquema vacinal completo para tétano, com último reforço há 8 anos. Como o intervalo é maior que 5 anos e menor que 10 anos, é indicada uma dose de reforço da vacina antitetânica. A imunoglobulina não é necessária em pacientes com esquema completo. Ferimentos por mordedura na mão são de alto risco de infecção e não devem ser suturados primariamente. Antibióticos profiláticos são indicados, mas a penicilina benzatina não é a escolha primária para mordeduras de cão. A radiografia é importante para descartar lesões ósseas ou corpos estranhos.
O manejo de ferimentos por mordedura de animais é uma situação comum na prática médica e exige uma abordagem sistemática para prevenir complicações como infecção, tétano e raiva. A avaliação inicial deve focar na extensão da lesão, localização, tempo decorrido desde a mordedura e características do animal agressor. A profilaxia do tétano é crucial: em pacientes com esquema vacinal completo, um reforço da vacina antitetânica é indicado se a última dose foi há mais de 5 anos (para ferimentos sujos/contaminados, como mordeduras). A imunoglobulina antitetânica é reservada para casos de vacinação incompleta, desconhecida ou em imunocomprometidos. Em relação ao ferimento, a limpeza rigorosa com água e sabão é a primeira medida. A sutura primária é geralmente evitada em ferimentos por mordedura, especialmente em locais de alto risco de infecção como as mãos, devido à alta carga bacteriana e ao risco de formação de abscessos. A profilaxia antibiótica é recomendada para mordeduras de alto risco (mãos, pés, face, genitália, ferimentos profundos, imunocomprometidos), sendo a amoxicilina-clavulanato a escolha preferencial devido à cobertura para Pasteurella multocida e anaeróbios. A profilaxia da raiva deve ser considerada com base no status vacinal do animal e na epidemiologia local. A radiografia pode ser útil para descartar fraturas ou a presença de corpos estranhos (dentes). A paciente do caso, com reforço há 8 anos, necessita de vacina antitetânica, mas não de imunoglobulina. A sutura primária na mão é contraindicada, e a penicilina benzatina não é o antibiótico de escolha para mordeduras de cão.
A vacina é indicada se o último reforço foi há mais de 5 anos (para ferimentos sujos/contaminados, como mordeduras). A imunoglobulina é reservada para pacientes não vacinados, com vacinação incompleta ou desconhecida, e ferimentos de alto risco.
A sutura primária é geralmente contraindicada em ferimentos por mordedura com alto risco de infecção, como os localizados na face, mãos, pés, genitália, ou ferimentos profundos, extensos, com sinais de infecção ou que demoraram para ser atendidos.
A amoxicilina-clavulanato é o antibiótico de escolha para profilaxia de infecção em mordeduras de cão, devido à sua cobertura para Pasteurella multocida e anaeróbios.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo