Prevenção do Tétano em Ferimentos de Alto Risco e Sujos

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 45 anos, agricultor, morador de uma área rural no interior do Rio Grande do Sul. História Clínica: O paciente foi atendido em um hospital de campanha três semanas após uma enchente que devastou sua comunidade. Ele relata múltiplos problemas de saúde desde que foi deslocado para um abrigo temporário superlotado. Nos últimos sete dias, desenvolveu diarreia aquosa, associada a dores abdominais e vômitos. Além disso, descreve episódios de febre intermitente, cefaleia e dor retroorbitária. O paciente também apresenta uma lesão puntiforme no pé direito, resultado de uma ferida causada por um pedaço de metal enferrujado durante a enchente. Relata, ainda, dores musculares e cãibras nos últimos dias. Sua esposa, que está no mesmo abrigo, desenvolveu sintomas respiratórios agudos. Ele expressa preocupação com a segurança das filhas adolescentes, temendo violência sexual no abrigoExames Físicos:-PA: 90/60 mmHg-FC:105 bpm-Temperatura:38,4°C Ao exame físico revela desidratação moderada, abdome doloroso à palpação difusa, lesão puntiforme com eritema e edema no pé direito, além de icterícia leve.História de Saúde: Paciente hipertenso, em uso irregular de medicamentos. Tem histórico de episódios anteriores de dengue, mas nunca apresentou hepatite ou outra doença infecciosa crônica.Dado o histórico de lesão perfurante no pé e o contexto de exposição a solo contaminado, descritos no texto, qual é a conduta preventiva mais adequada para este paciente?

Alternativas

  1. A) Administração de antibióticos profiláticos e curativo oclusivo
  2. B) Atualização da vacina contra tétano e administração de imunoglobulina antitetânica
  3. C) Desbridamento da ferida e observação clínica
  4. D) Realização de profilaxia antirrábica e antibióticos intravenosos

Pérola Clínica

Ferimento sujo + vacinação incerta/incompleta → Vacina + Imunoglobulina (IGHAT).

Resumo-Chave

Ferimentos perfurantes contaminados em pacientes com histórico vacinal incerto ou incompleto exigem imunização ativa (vacina) e passiva (imunoglobulina) imediata.

Contexto Educacional

O manejo profilático do tétano após lesões cutâneas baseia-se em dois pilares: o tipo de ferimento e o histórico vacinal do paciente. Ferimentos causados por objetos metálicos enferrujados em ambientes rurais ou áreas de inundação são altamente suspeitos de contaminação por esporos de Clostridium tetani. Em pacientes com histórico vacinal irregular ou desconhecido, a conduta preconizada envolve a imunização ativa com o toxoide tetânico (vacina) e a imunização passiva com imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT) ou soro antitetânico (SAT). A IGHAT é preferível por apresentar menor risco de reações de hipersensibilidade. A limpeza exaustiva da ferida e o desbridamento de tecidos desvitalizados também são cruciais para reduzir o potencial anaeróbio que favorece a germinação dos esporos, mas não substituem a imunoterapia específica.

Perguntas Frequentes

Quando usar imunoglobulina no manejo do tétano?

A imunoglobulina antitetânica (IGHAT) é indicada em ferimentos de alto risco (sujos, profundos, com tecidos desvitalizados) quando o paciente tem histórico vacinal incerto, incompleto (menos de 3 doses) ou se a última dose foi há mais de 10 anos em ferimentos graves. Ela fornece proteção imediata através de anticorpos prontos.

Antibióticos previnem o tétano?

Não. O Clostridium tetani é uma bactéria anaeróbia produtora de toxinas. Embora antibióticos possam ser usados para tratar infecções secundárias da ferida, a prevenção do tétano depende exclusivamente da neutralização da toxina circulante (imunoglobulina) e do estímulo à produção de anticorpos endógenos (vacina).

Como classificar um ferimento como 'alto risco' para tétano?

São considerados de alto risco ferimentos por projéteis de arma de fogo, queimaduras, feridas perfurantes (como pregos ou metal enferrujado), esmagamentos, feridas contaminadas com solo, fezes ou saliva, e aquelas com presença de tecido necrótico ou corpos estranhos.

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