HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025
Homem, de 45 anos de idade, vítima de queimadura por óleo quente em membros superiores, é levado ao pronto atendimento após uma hora do evento. Nega comorbidades prévias. Ao exame físico, apresenta vias aéreas pérvias, sem alterações ventilatórias e hemodinâmicas. Está consciente e orientado, com presença de hiperemia, com formação de bolhas na face posterior de antebraços bilateralmente. Apresenta esquema vacinal para tétano completo, com última dose de reforço há oito anos. Considerando o caso deste paciente, qual é a recomendação correta?
Queimadura em paciente com esquema vacinal completo e reforço há 8 anos → apenas reforço vacinal para tétano.
Em queimaduras, a profilaxia do tétano depende do histórico vacinal do paciente e do tipo de ferimento. Para um paciente com esquema completo e reforço há 8 anos, a dose de reforço da vacina é suficiente, pois o intervalo de 5-10 anos para ferimentos limpos/contaminados é o limite.
A profilaxia do tétano é um componente crítico no manejo de ferimentos, incluindo queimaduras, devido ao risco de infecção por Clostridium tetani. O tétano é uma doença grave, potencialmente fatal, caracterizada por espasmos musculares e rigidez. A decisão sobre a profilaxia depende do tipo de ferimento (limpo ou tetanogênico) e do histórico vacinal do paciente. Para ferimentos tetanogênicos, como queimaduras, a avaliação do esquema vacinal é primordial. Se o paciente possui esquema vacinal completo (três doses) e o último reforço foi há menos de 5 anos, nenhuma intervenção adicional é necessária. Se o último reforço foi há 5 a 10 anos, um reforço da vacina é indicado. Se o último reforço foi há mais de 10 anos, ou se o esquema é incompleto/desconhecido, tanto a vacina quanto a imunoglobulina antitetânica devem ser administradas. No caso específico de queimaduras, que são ferimentos potencialmente contaminados, a atenção ao histórico vacinal é redobrada. A imunoglobulina oferece proteção passiva imediata, enquanto a vacina estimula a produção de anticorpos a longo prazo. É fundamental que residentes e profissionais de saúde saibam diferenciar as indicações para cada componente da profilaxia, evitando o uso desnecessário de imunoglobulina e garantindo a proteção adequada do paciente.
A imunoglobulina antitetânica é indicada para ferimentos tetanogênicos em pacientes não vacinados, com esquema vacinal incompleto, ou com esquema completo mas com reforço há mais de 5 anos e ferimento sujo/contaminado. No caso de queimaduras, que são ferimentos contaminados, a imunoglobulina é considerada se o último reforço foi há mais de 5 anos e o esquema vacinal é incerto ou incompleto.
Neste cenário, a conduta correta é realizar apenas um reforço vacinal para tétano. O intervalo de proteção da vacina é de 10 anos para ferimentos limpos e 5 anos para ferimentos contaminados. Como o último reforço foi há 8 anos, está dentro da janela para um reforço em ferimentos contaminados.
Sim, queimaduras são consideradas ferimentos tetanogênicos, especialmente as de segundo e terceiro graus, devido à necrose tecidual e à possibilidade de contaminação por esporos de Clostridium tetani. Por isso, a profilaxia do tétano é fundamental no manejo de queimaduras.
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