Profilaxia do Tétano em Ferimentos: Guia de Conduta

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022

Enunciado

Gilson é um homem de 51 anos, pedreiro, que estava trabalhando em uma obra cortando madeira, quando acidentalmente feriu seu braço esquerdo. Chega ao centro de saúde cinco horas após o trauma. Ao exame físico apresenta ferimento perfuro-cortante em membro superior esquerdo, linear, com evidência de tecido subcutâneo e musculatura e com seis centímetros de extensão. A ferida apresentava bastante sujidade no entorno, com presença de pó. Você avalia o prontuário de Gilson e verifica que ele tem mais de três doses da vacina para profilaxia de tétano, sendo a última dose de reforço há 6 anos. Diante do caso, além de realizar anestesia local, limpeza da sujidade e irrigação da ferida com soro fisiológico, a conduta adequada seria:

Alternativas

  1. A) Fechamento primário por meio de sutura, orientar retirada de pontos em 7 a 10 dias e profilaxia de tétano com 1 dose da vacina.
  2. B) Fechamento secundário, cobrindo a ferida com gaze esterilizada com inspeção diária em condições assépticas e profilaxia de tétano com 1 dose de vacina
  3. C) Fechamento secundário, cobrindo a ferida com gaze esterilizada com inspeção diária em condições assépticas e não é necessário reforço de profilaxia de tétano.
  4. D) Fechamento primário por meio de sutura, orientar retirada de pontos em 7 a 10 dias e não é necessário reforço de profilaxia de tétano.

Pérola Clínica

Ferida suja, vacina tétano há >5 anos (mas <10) → reforço vacinal e fechamento primário se limpa.

Resumo-Chave

Para ferimentos sujos em pacientes com esquema vacinal completo para tétano, mas com o último reforço há mais de 5 anos (e menos de 10), é indicada uma dose de reforço da vacina. Após limpeza e irrigação adequadas, o fechamento primário da ferida é a conduta padrão.

Contexto Educacional

A profilaxia do tétano é um aspecto crucial no manejo de ferimentos, especialmente aqueles contaminados ou com alto risco. O tétano é uma doença grave causada pela toxina de Clostridium tetani, presente no solo e fezes, que pode entrar no corpo através de feridas. A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção, e a avaliação do status vacinal do paciente é o primeiro passo na conduta. As diretrizes para profilaxia do tétano dependem do tipo de ferimento (limpo ou sujo/contaminado) e do histórico vacinal do paciente. Para ferimentos sujos ou contaminados, como o descrito na questão, a proteção conferida pela vacina é considerada eficaz por 5 anos. Se o último reforço foi há mais de 5 anos (e o paciente tem esquema completo), uma dose de reforço da vacina é indicada. Se o esquema for incompleto ou desconhecido, imunoglobulina antitetânica pode ser necessária. O manejo local da ferida é igualmente importante. Ferimentos perfuro-cortantes e contaminados exigem limpeza rigorosa, irrigação com soro fisiológico e debridamento de tecidos desvitalizados. Após a limpeza adequada, o fechamento primário por sutura é geralmente a conduta preferencial, permitindo uma cicatrização mais rápida e com melhor resultado estético, desde que não haja sinais de infecção ou contaminação excessiva que justifiquem o fechamento secundário.

Perguntas Frequentes

Quando é necessário um reforço da vacina antitetânica em caso de ferimento?

Em ferimentos limpos, um reforço é necessário se a última dose foi há mais de 10 anos. Em ferimentos sujos ou contaminados, o reforço é indicado se a última dose foi há mais de 5 anos.

Qual a conduta para um ferimento sujo com paciente vacinado contra tétano?

Além da limpeza e irrigação, se o paciente tem esquema completo e o último reforço foi há mais de 5 anos, deve-se administrar uma dose de reforço da vacina. O fechamento primário pode ser feito se a ferida estiver limpa.

O que é o fechamento primário de uma ferida?

O fechamento primário é a sutura imediata da ferida após a limpeza e debridamento, permitindo a cicatrização por primeira intenção. É preferível para feridas limpas e com baixo risco de infecção.

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