INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Uma mulher com 32 anos de idade, gesta = 2, para = 1(parto vaginal), com 35 semanas de gestação, é admitida na Emergência Obstétrica referindo contrações e perda vaginal de líquido há 2 horas. Refere ter tido um filho há 5 anos com sepse neonatal por Streptococcus do grupo B. Ao exame, apresenta duas contrações moderadas em 10 minutos, BCF de 140 bpm, altura uterina: 32 cm, exame especular com líquido claro fluindo pelo orifício cervical e toque vaginal com colo médio, centrado, 3 cm de dilatação, bolsa rota, apresentação cefálica. Qual a melhor conduta obstétrica no caso a fim de se evitar a infecção vertical por Streptococcus do grupo B?
Filho anterior com sepse por GBS = Indicação absoluta de profilaxia intraparto (Penicilina G).
Gestantes com antecedente de filho com sepse por GBS têm indicação de profilaxia antibiótica intraparto, independentemente de cultura atual ou idade gestacional.
O Streptococcus agalactiae (GBS) é a principal causa de sepse neonatal precoce e meningite no período neonatal. A estratégia de rastreio universal com swab vaginal e retal entre 35 e 37 semanas de gestação reduziu drasticamente a incidência da doença. No caso clínico apresentado, a paciente possui um fator de risco histórico (filho anterior com sepse por GBS), o que a coloca automaticamente no grupo com indicação de profilaxia intraparto. Como ela apresenta rotura de membranas e está em trabalho de parto prematuro (35 semanas), a conduta correta é a assistência ao parto vaginal com a administração de penicilina cristalina para garantir níveis terapêuticos no líquido amniótico e no feto antes do nascimento.
As indicações para profilaxia intraparto (IAP) independentemente do resultado da cultura atual incluem: 1) Antecedente de recém-nascido com doença invasiva por GBS em gestação anterior; 2) GBS isolado na urina (bacteriúria) em qualquer momento da gestação atual; 3) Cultura (swab vaginal/anal) positiva entre 35-37 semanas. Na ausência de cultura, faz-se se houver fatores de risco (febre, bolsa rota >18h ou parto <37 semanas).
O padrão-ouro é a Penicilina G Cristalina, com dose de ataque de 5 milhões de UI via endovenosa, seguida de 2,5 a 3 milhões de UI a cada 4 horas até o nascimento. A Ampicilina (2g ataque + 1g 6/6h) é uma alternativa aceitável. Em caso de alergia leve à penicilina, usa-se Cefazolina; em alergia grave com alto risco de anafilaxia, Clindamicina ou Vancomicina (dependendo da sensibilidade da cepa).
A cesariana eletiva (fora de trabalho de parto e com membranas íntegras) não tem indicação para profilaxia de GBS, pois o risco de transmissão vertical nessas condições é extremamente baixo. No entanto, se a paciente entrar em trabalho de parto ou houver rotura de membranas, o risco de ascensão bacteriana existe, e a profilaxia deve ser iniciada mesmo que a via de parto final seja cesárea por indicação obstétrica.
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