Varizes Esofágicas: Profilaxia Secundária Pós-Sangramento

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 50 anos com diagnóstico de cirrose hepática, de etiologia não alcoólica e não viral, refere que há 1 semana evoluiu com melena e hematêmese de grande volume e realizou ligadura de varizes esofágicas há 5 dias. A melhor opção medicamentosa para profilaxia secundária para sangramento das varizes esofágicas neste caso é

Alternativas

  1. A) ácido tranexâmico.
  2. B) fitomenadiona (vitamina K1).
  3. C) bloqueador de canal de cálcio.
  4. D) betabloqueador.
  5. E) nitrato.

Pérola Clínica

Profilaxia secundária sangramento varizes esofágicas (pós-ligadura) = betabloqueador não seletivo.

Resumo-Chave

Após um episódio de sangramento por varizes esofágicas e tratamento endoscópico (ligadura), a profilaxia secundária é essencial para prevenir ressangramento. Os betabloqueadores não seletivos são a terapia medicamentosa de escolha, pois reduzem a pressão portal e o risco de novos sangramentos.

Contexto Educacional

As varizes esofágicas são uma complicação grave da hipertensão portal, frequentemente associada à cirrose hepática, e representam a principal causa de sangramento gastrointestinal alto em pacientes cirróticos. O sangramento agudo de varizes é uma emergência médica com alta morbimortalidade, exigindo manejo rápido e eficaz. A prevenção do primeiro sangramento (profilaxia primária) e, principalmente, do ressangramento (profilaxia secundária) é crucial para melhorar o prognóstico desses pacientes. A fisiopatologia da hipertensão portal envolve o aumento da resistência ao fluxo sanguíneo hepático, levando à formação de shunts portossistêmicos, como as varizes esofágicas, que são vasos colaterais dilatados e frágeis. O risco de sangramento aumenta com o tamanho das varizes e a gravidade da disfunção hepática. Após um episódio de sangramento, o risco de ressangramento é elevado, sendo maior nas primeiras 6 semanas. A profilaxia secundária para sangramento de varizes esofágicas, após um episódio agudo e tratamento endoscópico (como a ligadura elástica), é realizada com a combinação de betabloqueadores não seletivos (ex: propranolol, carvedilol) e a manutenção da terapia endoscópica. Os betabloqueadores reduzem a pressão portal, enquanto a ligadura oblitera as varizes. Essa abordagem combinada demonstrou ser a mais eficaz na redução do risco de ressangramento e na melhoria da sobrevida dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo de ação dos betabloqueadores na profilaxia de varizes esofágicas?

Os betabloqueadores não seletivos, como propranolol e carvedilol, reduzem a pressão portal ao causar vasoconstrição esplâncnica (bloqueio beta-2) e diminuir o débito cardíaco (bloqueio beta-1), o que consequentemente diminui o fluxo sanguíneo para as varizes e o risco de sangramento.

Quando a profilaxia secundária para sangramento de varizes esofágicas é indicada?

A profilaxia secundária é indicada para todos os pacientes que já tiveram um episódio de sangramento por varizes esofágicas, após a estabilização do quadro agudo e tratamento endoscópico (ligadura ou escleroterapia), visando prevenir novos episódios de hemorragia.

Quais são as opções de tratamento endoscópico para varizes esofágicas?

As principais opções de tratamento endoscópico para varizes esofágicas são a ligadura elástica de varizes (LEV), que consiste na colocação de anéis elásticos na base da variz para induzir sua necrose e obliteração, e a escleroterapia, que envolve a injeção de uma substância esclerosante na variz.

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