Varizes Esofágicas: Profilaxia Secundária Pós-Sangramento

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 46a, procura Unidade de Emergência referindo dois episódios de hematêmese, em moderada quantidade há quatro horas. Antecedente pessoal: portadora de vírus da hepatite C. Exame físico: Regular estado geral, descorada 2+/4+; ictérica +/4+; PA= 104x72 mmHg; FC= 104 bpm; FR= 20 irpm; Abdome: flácido, ausência de ascite ou massas palpáveis, fígado palpado a 6cm do RCD indolor, borda romba e lisa, consistência 3+/4+; baço percutível e palpado a 4 cm do RCE. Hb= 8,1 g/dL; Ht= 25,4%; albumina= 3,1 g/dL; bilirrubina total= 2,7 mg/dL; RNI= 2,1. Endoscopia digestiva: ligadura elástica de varizes esofágicas. Prescrito octreotide 50 pg/h em bomba de infusão intravenosa. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Realizar transfusão sanguínea até Hb 9g/dL.
  2. B) Prescrever ressuscitação volêmica com solução salina até PA > 120 mmHg.
  3. C) Iniciar propranolol 20 mg/dia via oral.
  4. D) Iniciar vitamina K 10 mg/dia intramuscular.

Pérola Clínica

Pós-sangramento varicoso agudo e ligadura → Profilaxia secundária com beta-blobloqueador não seletivo (Propranolol).

Resumo-Chave

Após o controle agudo de um sangramento por varizes esofágicas (com ligadura e octreotide), a profilaxia secundária é crucial para prevenir novos episódios. O propranolol, um beta-bloqueador não seletivo, é a medicação de escolha para reduzir a pressão portal e o risco de ressangramento.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas é uma complicação grave da hipertensão portal, frequentemente associada à cirrose hepática. É uma emergência médica com alta morbimortalidade, exigindo manejo rápido e eficaz. A profilaxia secundária, após o controle do episódio agudo, é crucial para prevenir ressangramentos, que são comuns e pioram o prognóstico. Pacientes com hepatite C crônica têm risco aumentado de desenvolver cirrose e suas complicações, incluindo varizes esofágicas. O tratamento agudo envolve estabilização hemodinâmica, uso de drogas vasoativas (como octreotide) para reduzir o fluxo sanguíneo portal e endoscopia para ligadura elástica das varizes. Após a resolução do sangramento, a estratégia de longo prazo visa reduzir a pressão portal. Os beta-bloqueadores não seletivos, como o propranolol, são a pedra angular da profilaxia secundária, pois diminuem o débito cardíaco e a vasoconstrição esplâncnica, reduzindo o risco de novos sangramentos. É fundamental que residentes compreendam a sequência de manejo: controle agudo, seguido de profilaxia secundária. A escolha do propranolol é baseada em evidências que demonstram sua eficácia na redução da taxa de ressangramento e mortalidade. Outras condutas, como transfusão e reposição volêmica, devem ser realizadas com cautela para evitar complicações e não substituem a profilaxia farmacológica.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do propranolol na profilaxia secundária de varizes esofágicas?

O propranolol é um beta-bloqueador não seletivo que reduz a pressão portal, diminuindo o risco de ressangramento das varizes esofágicas. Ele é fundamental na prevenção de novos episódios hemorrágicos em pacientes com cirrose.

Quando iniciar a profilaxia secundária após um sangramento agudo por varizes?

A profilaxia secundária deve ser iniciada assim que o paciente estiver estável hemodinamicamente e o sangramento agudo controlado, geralmente após a ligadura elástica e o uso de vasoativos como o octreotide.

Qual o alvo de hemoglobina para transfusão em pacientes com sangramento varicoso?

O alvo de hemoglobina para transfusão em sangramento varicoso é geralmente mais restritivo, entre 7 a 8 g/dL, para evitar a sobrecarga volêmica e o aumento da pressão portal, que podem precipitar um novo sangramento.

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