Febre Reumática: Duração da Profilaxia Secundária

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2023

Enunciado

No contexto de febre reumática, a profilaxia com penicilina benzatina a cada 21 dias é crucial para prevenção de recorrências do quadro. Quanto a esse assunto, assinale a alternativa correta. 

Alternativas

  1. A) Pacientes sem cardite devem receber profilaxia secundária até 25 anos ou 10 anos após o último surto, o que cobrir maior período.
  2. B) Pacientes que apresentaram cardite prévia, mas que evoluíram com insuficiência mitral leve, residual ou com resolução da lesão valvar devem realizar profilaxia até 21 anos de idade ou 5 anos após o último surto, o que cobrir maior período. 
  3. C) Pacientes com lesão valvar residual moderada a severa devem receber profilaxia secundária até 40 anos de idade ou até mesmo por toda vida.
  4. D) No caso de pacientes com cirurgia valvar, não há necessidade de profilaxia secundária. 
  5. E) Todos os pacientes devem receber profilaxia secundária por 15 anos após o último surto, independentemente da presença de cardite. 

Pérola Clínica

Febre reumática com lesão valvar moderada/severa → profilaxia secundária até 40 anos ou por toda vida.

Resumo-Chave

A duração da profilaxia secundária da febre reumática é determinada pela presença e gravidade da cardite. Pacientes com lesão valvar residual moderada a severa têm o maior risco de recorrência e progressão da doença, necessitando de profilaxia prolongada, muitas vezes por toda a vida.

Contexto Educacional

A febre reumática é uma doença inflamatória sistêmica, não supurativa, que pode ocorrer após uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Sua complicação mais grave é a cardite reumática, que pode levar a lesões valvares permanentes e doença cardíaca reumática crônica. A profilaxia secundária com penicilina benzatina é a pedra angular na prevenção de recorrências e na progressão da doença cardíaca. A duração da profilaxia secundária é um ponto crítico e varia conforme a apresentação clínica inicial e a presença de cardite. Para pacientes sem cardite, a profilaxia é geralmente recomendada por 5 anos após o último surto ou até os 21 anos de idade (o que for maior). Para aqueles com cardite prévia, mas sem lesão valvar residual ou com lesão leve e transitória, a profilaxia se estende por 10 anos após o último surto ou até os 25 anos de idade (o que for maior). No entanto, para pacientes que desenvolveram cardite com lesão valvar residual moderada a severa, a profilaxia deve ser mantida por um período muito mais longo, frequentemente até os 40 anos de idade ou, em muitos casos, por toda a vida. Isso se deve ao risco elevado de recorrências e à progressão da doença valvar. Mesmo após cirurgia valvar, a profilaxia secundária é essencial, pois a cirurgia corrige a lesão, mas não elimina a suscetibilidade a novas crises de febre reumática.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da profilaxia secundária na febre reumática?

A profilaxia secundária é crucial para prevenir novas infecções por Streptococcus pyogenes e, consequentemente, recorrências da febre reumática, que podem agravar a lesão cardíaca.

Como a presença de cardite afeta a duração da profilaxia?

A presença e a gravidade da cardite determinam a duração da profilaxia. Pacientes sem cardite têm menor tempo de profilaxia, enquanto aqueles com cardite e lesão valvar grave necessitam de profilaxia mais prolongada, até mesmo por toda a vida.

Pacientes com cirurgia valvar ainda precisam de profilaxia secundária?

Sim, pacientes com cirurgia valvar devido à febre reumática ainda necessitam de profilaxia secundária, pois a cirurgia não elimina o risco de novas recorrências da doença.

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