Febre Reumática: Guia de Profilaxia Secundária Pediátrica

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Escolar, sexo masculino, 9 anos de idade, com 28kg, teve diagnóstico recente de febre reumática por apresentar os seguintes critérios: coreia, poliatrite migratória, febre, elevação de PCR e VHS e aumento dos níveis de antiestreptolisina O.Para esse paciente, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) está indicada a profilaxia secundária com penicilina benzatina, 1200000 UI a cada 21 dias até os 18 anos de idade ou 10 anos após o último surto.
  2. B) está indicada a profilaxia secundária com penicilina benzatina, 1200000 UI a cada 21 dias até os 25 anos de idade ou 5 anos após o último surto.
  3. C) não está indicada a profilaxia secundária com penicilina benzatina por não ter apresentado cardite, bastando-se o tratamento de cada faringotonsilite bacteriana que o paciente manifestar.
  4. D) está indicada a profilaxia secundária com penicilina benzatina, 1200000 UI a cada 21 dias até os 21 anos de idade ou 5 anos após o último surto.

Pérola Clínica

Febre Reumática sem cardite → Profilaxia secundária com Penicilina Benzatina até 21 anos ou 5 anos após último surto.

Resumo-Chave

A profilaxia secundária da febre reumática é crucial para prevenir novos surtos e o desenvolvimento de cardite reumática. A duração e a dose da penicilina benzatina variam conforme a presença ou ausência de cardite e a idade do paciente, sendo fundamental seguir as diretrizes para cada cenário clínico.

Contexto Educacional

A febre reumática é uma doença inflamatória sistêmica não supurativa que ocorre como sequela tardia de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). É uma condição autoimune que pode afetar o coração, articulações, cérebro e pele, sendo a cardite reumática a complicação mais grave e a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças e jovens adultos em países em desenvolvimento. O diagnóstico é baseado nos Critérios de Jones, que incluem manifestações maiores (cardite, poliartrite, coreia, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, elevação de VHS/PCR, prolongamento do PR). A evidência de infecção estreptocócica recente é essencial. A profilaxia secundária é a pedra angular do manejo, visando prevenir novos surtos e a progressão da doença cardíaca. A penicilina benzatina é o fármaco de escolha para a profilaxia secundária, administrada intramuscularmente a cada 21 dias. A duração da profilaxia varia conforme a presença e gravidade da cardite: para pacientes sem cardite, é até os 21 anos ou 5 anos após o último surto; para aqueles com cardite sem doença valvar residual, até os 21 anos ou 10 anos após o último surto; e para cardite com doença valvar residual, até os 25 anos ou 10 anos após o último surto, podendo ser por toda a vida em casos graves. O conhecimento dessas diretrizes é crucial para a prática clínica e para provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios de Jones para o diagnóstico de febre reumática?

Os critérios de Jones maiores incluem cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. Os critérios menores são febre, artralgia, elevação de VHS/PCR e prolongamento do intervalo PR no ECG. O diagnóstico requer evidência de infecção estreptocócica prévia mais dois critérios maiores ou um maior e dois menores.

Qual a importância da profilaxia secundária na febre reumática?

A profilaxia secundária é fundamental para prevenir novos surtos de febre reumática, que podem levar a danos cardíacos cumulativos e progressivos, resultando em doença cardíaca reumática crônica. A penicilina benzatina é o medicamento de escolha devido à sua eficácia e longa duração de ação.

Como a duração da profilaxia secundária varia em pacientes com cardite?

Para pacientes com febre reumática e cardite sem doença valvar residual, a profilaxia é recomendada até os 21 anos de idade ou 10 anos após o último surto. Em casos de cardite com doença valvar residual, a profilaxia é estendida até os 25 anos ou 10 anos após o último surto, e em casos de doença valvar grave ou cirurgia cardíaca, pode ser por toda a vida.

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