PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2019
Escolar de 10 anos de idade é trazida ao controle na Unidade Básica de Saúde com história de ter cardiopatia reumática: primeiro surto de febre reumática aos seis anos de idade, dois surtos subsequentes, com acometimento das valvas mitral e aórtica. No momento, apesar do tratamento utilizado (fez pulsoterapia com corticosteroides no último surto) ainda apresenta sintomas (cansaço ao brincar e "coração disparado") e na ausculta cardíaca, além de taquicardia leve, apresenta sopro sistólico holosistólico de grande intensidade, mas audível na área mitral, irradiando para axila. Faz uso regular de penicilina benzatina (21 em 21 dias). O motivo da consulta é o desejo da mãe de parar de aplicar injeções de penicilina ('doem muito, fico com pena dela, tão magrinha!'), Qual a orientação que deve ser dada a mãe a respeito das injeções, após explicações sobre a necessidade da profilaxia?
Cardiopatia reumática estabelecida → profilaxia secundária com penicilina benzatina até 40 anos ou por toda vida.
Pacientes com cardiopatia reumática estabelecida, especialmente com acometimento valvar grave ou múltiplos surtos, necessitam de profilaxia secundária prolongada. A interrupção precoce aumenta o risco de novos surtos e progressão da doença cardíaca.
A febre reumática é uma doença inflamatória sistêmica que pode afetar o coração, articulações, cérebro e pele, sendo uma sequela de infecções por Streptococcus pyogenes não tratadas. A profilaxia secundária é a pedra angular na prevenção da progressão da doença cardíaca reumática, a principal causa de morbimortalidade. A adesão rigorosa à penicilina benzatina é vital para evitar novos surtos. A duração da profilaxia secundária é determinada pela presença e gravidade do acometimento cardíaco. Em casos de cardiopatia reumática estabelecida, como o da paciente com acometimento mitral e aórtico, a profilaxia deve ser mantida por um período muito prolongado, frequentemente até os 40 anos ou por toda a vida, devido ao alto risco de recorrência e piora da doença valvar. A decisão de interromper deve ser individualizada e baseada em critérios clínicos rigorosos. A educação do paciente e da família sobre a importância da profilaxia é fundamental para garantir a adesão, mesmo diante do desconforto das injeções. A penicilina benzatina a cada 21 dias é o regime padrão, e a interrupção pode ter consequências graves, levando à necessidade de cirurgias valvares e impactando significativamente a qualidade de vida.
A profilaxia secundária é crucial para prevenir novos surtos de febre reumática, que podem levar à progressão da doença cardíaca reumática e danos valvares irreversíveis.
Pacientes com cardiopatia reumática estabelecida devem manter a profilaxia com penicilina benzatina até os 40 anos de idade ou, em alguns casos, por toda a vida, dependendo da gravidade e do risco individual.
A duração da profilaxia depende da presença e gravidade da cardiopatia reumática. Sem cardite, até 21 anos ou 5 anos após o último surto; com cardite sem doença valvar residual, até 25 anos ou 10 anos após o último surto; com cardite e doença valvar residual, até 40 anos ou por toda a vida.
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