USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Maria, 56 anos, foi mordida na perna pelo cachorro da vizinha. No momento do acidente, a paciente realizou limpeza com água e sabão e manteve suas atividades domésticas. Cerca de 9 horas após o acidente, foi à Unidade Básica de Saúde (UBS) onde foi atendida pela enfermeira. A enfermeira coletou a informação de que o cachorro era conhecido e habitava a casa da vizinha, avaliou tratar-se de ferimento superficial, sem sangramento, constituído por pontos perfurantes correspondentes a mordedura. Qual é a conduta?
Mordedura por cão conhecido e saudável, com ferimento superficial → observar o animal por 10 dias.
A conduta em caso de mordedura por cão depende da gravidade do ferimento e do status de observação do animal. Para ferimentos superficiais por cão conhecido e saudável, a observação do animal por 10 dias é a conduta inicial, sem necessidade de vacinação imediata na pessoa.
Acidentes por mordedura de animais são comuns e exigem uma avaliação criteriosa para determinar a necessidade de profilaxia antirrábica. A raiva é uma zoonose grave e fatal, mas sua prevenção pós-exposição é altamente eficaz se realizada corretamente. A conduta não é padronizada para todos os casos, dependendo de fatores como o tipo de animal, o status de vacinação do animal, a gravidade do ferimento e a possibilidade de observação do agressor. No caso de mordedura por cão conhecido, que habita a casa da vizinha (ou seja, pode ser observado) e o ferimento é superficial (pontos perfurantes sem sangramento), a recomendação é a observação do animal por 10 dias. Durante este período, se o cão permanecer saudável, não há risco de transmissão da raiva. Se o animal adoecer ou morrer, a profilaxia antirrábica humana deve ser iniciada imediatamente. É fundamental que o profissional de saúde saiba diferenciar as situações para evitar tanto a subestimação do risco (e consequente não profilaxia em casos necessários) quanto a superestimação (e profilaxia desnecessária). A limpeza imediata do ferimento com água e sabão é sempre a primeira medida, independentemente da conduta posterior em relação à raiva. A decisão sobre vacinação e/ou soro antirrábico deve seguir os protocolos do Ministério da Saúde, que consideram a epidemiologia da raiva na região e as características do acidente.
Para mordedura por cão conhecido, que pode ser observado, e com ferimento superficial (sem sangramento, pontos perfurantes), a conduta inicial é manter o cão em observação por 10 dias. A vacinação antirrábica humana não é indicada de imediato.
A vacinação antirrábica é indicada em humanos se o cão agressor for desconhecido, selvagem, apresentar sinais de raiva, ou se morrer/desaparecer durante o período de observação. Ferimentos profundos ou em áreas de alto risco (cabeça, pescoço, mãos) também podem indicar vacinação e soro, dependendo da avaliação.
A observação do cão por 10 dias é importante porque, se o animal estiver infectado com o vírus da raiva, ele manifestará sinais da doença e morrerá nesse período. Se o cão permanecer saudável após 10 dias, significa que não transmitiu a raiva no momento da mordedura, evitando a necessidade de profilaxia humana.
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