UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher, 57a, procura a Unidade Básica de Saúde após ser mordida por cachorro em panturrilha direita há 30 minutos. O cachorro está com a vacinação atualizada, é observável e não houve mudança de comportamento. Antecedentes pessoais: diabetes há 15 anos, carteira vacinal atualizada. Nega alergias prévias. Medicamentos em uso: insulina NPH e insulina regular. Exame físico: PA=128/76mmHg; FC=84bpm; FR=18irpm. Ferimento puntiforme em panturrilha direita, com discreto eritema nas bordas. Realizada limpeza da lesão e prescrição de analgésicos, se necessário. Foi orientada a manter o animal em observação e a comunicar alteração do seu comportamento. Sete dias após a mordedura, a paciente retorna à Unidade Básica de Saúde para avaliação do ferimento. Refere que o cachorro está desaparecido há dois dias. Exame físico: PA=110/72mmHg; FC=76bpm; FR=14irpm. Ferimento em panturrilha com boa cicatrização, sem hiperemia ou calor local. DE ACORDO COM O PROTOCOLO DE CONDUTA TERAPÊUTICA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, A CONDUTA É:
Cão desaparecido/morto durante observação → Iniciar esquema de profilaxia (vacina ± soro) conforme gravidade.
Se o animal (cão ou gato) desaparece, morre ou adoece durante os 10 dias de observação, o protocolo do Ministério da Saúde exige o início imediato da profilaxia pós-exposição adequada ao tipo de ferimento.
O manejo da profilaxia antirrábica no Brasil é regido pelo Ministério da Saúde e baseia-se na gravidade do ferimento e na condição do animal agressor. Em acidentes com cães e gatos passíveis de observação, a conduta inicial pode ser apenas a observação por 10 dias. No entanto, a vigilância deve ser rigorosa. Se o animal não puder ser observado ou se houver mudança em seu estado de saúde (morte ou desaparecimento), a profilaxia deve ser instituída. No caso de ferimentos puntiformes em extremidades (como a panturrilha), o protocolo frequentemente os classifica como graves devido à rica inervação local, exigindo vacinação e, dependendo da avaliação clínica, soroterapia.
O animal deve ser observado por 10 dias a partir do momento do acidente. Se o animal permanecer sadio durante esse período, o risco de transmissão da raiva no momento da mordedura é descartado e nenhuma profilaxia adicional para o paciente é necessária.
Acidentes graves incluem ferimentos em face, cabeça, pescoço, mãos, polpas digitais ou planta dos pés; ferimentos profundos, múltiplos ou extensos; lanhaduras por unhas de gato; ou qualquer ferimento causado por animal silvestre (mesmo que domiciliado).
Caso o animal desapareça, morra ou apresente sinais sugestivos de raiva durante o período de 10 dias, deve-se iniciar imediatamente o esquema de vacinação. Se o ferimento for classificado como grave, o soro antirrábico também deve ser administrado.
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