Profilaxia da Raiva: Conduta Pós-Exposição por Morcego

FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021

Enunciado

No caso a seguir, indique a melhor alternativa para profilaxia da raiva humana: Menino de 10 anos, nascido e criado na zona rural de Capela, é trazido à UBS logo após mordedura superficial em tronco, de pequena extensão por seu morcego domiciliado. Criança afirma que o ferimento foi ocasionado após o mesmo tentar se transformar em Batman, colocando o morcego com as asas abertas em seu peito.

Alternativas

  1. A) Lavar com água e sabão e iniciar imediatamente o esquema profilático com 5 (cinco) doses de vacina administradas nos dias 0, 3, 7, 14 e 28.
  2. B) Lavar com água e sabão e iniciar imediatamente o esquema profilático com soro e 5 (cinco) doses de vacina administradas nos dias 0, 3, 7, 14 e 28.
  3. C) Lavar com água e sabão e não tratar.
  4. D) Lavar com água e sabão; iniciar esquema profilático com 2 (duas) doses, uma no dia 0 e outra no dia 3. Observar o animal durante 10 dias após a exposição. Se a suspeita de raiva for descartada após o 10º dia de observação, suspender o esquema profilático e encerrar o caso.
  5. E) Lavar com água e sabão; observar o animal durante 10 dias após a exposição. Se o animal permanecer sadio no período de observação, encerrar o caso. Se o animal morrer, desaparecer ou se tornar raivoso, administrar 5 doses de vacina (dias 0, 3, 7, 14 e 28).

Pérola Clínica

Mordedura por morcego → sempre considerar animal silvestre de risco → iniciar soro + vacina (5 doses).

Resumo-Chave

A mordedura por morcego é considerada uma exposição de alto risco para raiva, pois morcegos são importantes reservatórios do vírus. Nesses casos, a profilaxia pós-exposição completa com soro e vacina é mandatória, independentemente da profundidade do ferimento, devido à alta letalidade da doença.

Contexto Educacional

A raiva humana é uma zoonose viral de alta letalidade, causada por um Lyssavirus, transmitida principalmente pela saliva de animais infectados através de mordeduras, arranhaduras ou lambeduras de mucosas. A profilaxia pós-exposição é a única forma eficaz de prevenir a doença após o contato com o vírus, sendo crucial a avaliação do tipo de exposição e do animal agressor. Morcegos são considerados animais silvestres de alto risco para a transmissão da raiva, independentemente de estarem domiciliados ou do tipo de ferimento. A conduta nesses casos é sempre de profilaxia completa, que inclui a lavagem exaustiva do ferimento com água e sabão, a administração de soro antirrábico (se indicado e disponível) e o esquema vacinal completo. O esquema vacinal para não imunizados consiste em 5 doses da vacina antirrábica, aplicadas nos dias 0, 3, 7, 14 e 28. O soro antirrábico, quando indicado, deve ser infiltrado o máximo possível na lesão e o restante administrado IM, preferencialmente no dia 0. A decisão de usar soro e vacina é baseada no risco da exposição, sendo a mordedura por morcego uma indicação clara para a profilaxia combinada, devido ao alto risco e à impossibilidade de observação do animal para descartar a infecção.

Perguntas Frequentes

Quando é indicada a soroterapia na profilaxia da raiva?

A soroterapia é indicada em exposições graves (mordeduras profundas, múltiplas, em áreas de alto risco como cabeça e pescoço) e em qualquer exposição por animais silvestres (incluindo morcegos) ou animais domésticos com suspeita de raiva.

Qual o esquema vacinal completo para raiva em não vacinados?

O esquema vacinal completo para não vacinados consiste em 5 doses da vacina antirrábica, administradas nos dias 0, 3, 7, 14 e 28 após a exposição.

Por que morcegos são considerados de alto risco para raiva?

Morcegos são importantes reservatórios naturais do vírus da raiva e podem transmitir a doença mesmo sem apresentar sinais evidentes. Qualquer contato com morcego deve ser considerado exposição de alto risco.

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