Profilaxia da Raiva Humana: Mordedura de Macaco

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015

Enunciado

Ao brincar com um macaco que se encontra em cativeiro há mais ou menos dois anos, Lucas, 8 anos, sofreu mordedura única e superficial no dedo. Segundo o esquema de profilaxia da Raiva Humana, assinale a conduta CORRETA:

Alternativas

  1. A) observar o animal por dez dias
  2. B) observar o animal por dez dias
  3. C) Aplicar cinco doses da vacina e não observar o animal
  4. D) Aplicar cinco doses da vacina e soro e não observar o animal
  5. E) Aplicar cinco doses da vacina e não aplicar o soro se o animal morrer, desaparecer ou se tornar raivoso durante os 10 dias de observação. 

Pérola Clínica

Mordedura por macaco (animal silvestre) → SEMPRE esquema completo: vacina + soro, independentemente do cativeiro.

Resumo-Chave

A profilaxia da raiva humana após exposição a animais silvestres, como macacos, é sempre considerada de alto risco, exigindo a administração de soro e vacina, mesmo que o animal esteja em cativeiro. A observação do animal não é uma opção segura para silvestres.

Contexto Educacional

A profilaxia da Raiva Humana é um tema crucial na medicina de emergência e saúde pública, dada a letalidade da doença uma vez que os sintomas se manifestam. A conduta após uma exposição (mordedura, arranhadura, lambedura em pele lesada) depende de vários fatores, incluindo o tipo de animal, o local e a profundidade da lesão, e o status vacinal do paciente. No caso de mordeduras por animais silvestres, como macacos, o risco de transmissão da raiva é sempre considerado elevado, independentemente de o animal estar em cativeiro ou do tempo de cativeiro. A raiva é uma zoonose viral transmitida principalmente pela saliva de animais infectados. Animais silvestres podem ser portadores assintomáticos ou apresentar sinais atípicos da doença, tornando a observação inadequada e perigosa. Portanto, a conduta correta para mordeduras por macacos, ou qualquer outro animal silvestre, é a profilaxia pós-exposição completa: administração de soro antirrábico (se indicado pela gravidade da lesão e tipo de exposição) e o esquema completo de vacinação antirrábica. O soro oferece imunidade passiva imediata, enquanto a vacina estimula a produção de anticorpos próprios, conferindo imunidade ativa e duradoura. A opção de observar o animal é reservada apenas para cães e gatos domésticos sadios, em situações específicas e sob critérios rigorosos. A falha em seguir essa diretriz pode ter consequências fatais.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença na conduta para mordeduras de animais domésticos e silvestres em relação à raiva?

Para animais domésticos (cães e gatos), a observação do animal por 10 dias é uma conduta comum se ele for sadio. Para animais silvestres (como macacos), o risco de raiva é sempre considerado alto, e a profilaxia completa (soro e vacina) é indicada imediatamente, sem observação.

Quando é necessário aplicar soro antirrábico além da vacina?

O soro antirrábico é indicado em exposições graves (lesões profundas, múltiplas, em áreas de alto risco como cabeça, pescoço, face, mãos, pés, genitais) ou em qualquer exposição por animais silvestres, morcegos, ou animais domésticos com suspeita de raiva.

Por que a observação do animal não é recomendada para macacos?

Macacos são considerados animais silvestres e potenciais transmissores da raiva. A observação não é uma opção segura porque o comportamento de um animal silvestre em cativeiro pode não refletir seu estado de saúde em relação à raiva, e o risco de transmissão é alto.

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