Mordida de Cão: Profilaxia Antirrábica Completa

HOC - Hospital de Olhos de Conquista (BA) — Prova 2015

Enunciado

Jovem com 14 anos de idade é levado à Unidade Básica de Saúde por ferimento no pé esquerdo por mordida de cão. Refere não conhecer o cão e que este fugiu logo após o ter mordido. Tinha realizado o reforço da vacina dT quando estava com 10 anos de idade. A lesão não era profunda e estava levemente sangrante. Qual deve ser a conduta MAIS adequada do profissional que atendeu esse paciente na UBS? 

Alternativas

  1. A) Higiene da lesão, iniciar esquema de vacina antirrábica e observar o jovem por 10 dias.  
  2. B) Higiene da lesão, iniciar esquema de vacina antirrábica, observar o jovem por 10 dias e administrar uma dose de vacina antitetânica. 
  3. C) Higiene da lesão e observar a criança por 10 dias.
  4. D) Higiene da lesão, iniciar esquema de vacina antirrábica intramuscular em deltoide e administrar imunoglobulina contra a raiva. 

Pérola Clínica

Mordida por cão desconhecido/fujão → profilaxia antirrábica completa (vacina + imunoglobulina) + higiene da lesão.

Resumo-Chave

Em casos de mordida por animal desconhecido ou que fugiu, a profilaxia antirrábica completa é mandatória devido ao risco de raiva. Isso inclui a limpeza da ferida, administração da vacina antirrábica e, para ferimentos graves ou por animais de alto risco, a imunoglobulina antirrábica. O status vacinal antitetânico também deve ser avaliado.

Contexto Educacional

A raiva é uma zoonose viral grave, quase sempre fatal após o início dos sintomas, o que torna a profilaxia pós-exposição uma medida de saúde pública de extrema importância. A transmissão ocorre principalmente pela saliva de animais infectados, através de mordidas, arranhões ou lambeduras em mucosas ou pele lesada. A epidemiologia da raiva no Brasil, embora controlada em áreas urbanas, ainda representa um risco em regiões com circulação viral em animais silvestres ou cães e gatos não vacinados. A fisiopatologia da raiva envolve a replicação viral no local da inoculação e posterior migração neural até o sistema nervoso central. O diagnóstico precoce e a conduta adequada são cruciais. A avaliação de uma mordida de animal deve considerar o tipo de animal, as circunstâncias da mordida (provocada ou não), o estado de saúde do animal e o tipo de ferimento. Ferimentos graves ou por animais desconhecidos/fujões exigem a profilaxia completa. O tratamento profilático consiste na limpeza rigorosa da ferida, vacinação antirrábica e, em casos de alto risco, a administração de imunoglobulina antirrábica. A imunoglobulina oferece proteção passiva imediata, enquanto a vacina estimula a produção de anticorpos ativos. O prognóstico é excelente se a profilaxia for iniciada prontamente e corretamente. É vital que o residente domine as indicações e o esquema da profilaxia antirrábica para evitar desfechos fatais.

Perguntas Frequentes

Quando é indicada a imunoglobulina antirrábica?

A imunoglobulina antirrábica é indicada para ferimentos graves (profundos, múltiplos, em áreas de alto risco como cabeça e pescoço) ou por animais com alta suspeita de raiva (silvestres, desconhecidos, fujões).

Qual a importância da higiene da lesão em mordidas de animais?

A limpeza imediata e abundante da ferida com água e sabão é crucial para remover partículas virais e reduzir o risco de infecção, sendo a primeira e mais importante medida.

Qual o esquema vacinal para raiva pós-exposição?

O esquema vacinal padrão para raiva pós-exposição consiste em 5 doses da vacina antirrábica, administradas nos dias 0, 3, 7, 14 e 28, preferencialmente no deltoide.

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