Mordedura de Cão: Profilaxia da Raiva e Conduta

HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025

Enunciado

Escolar, sexo masculino, 7 anos de idade, foi mordido por um cão e levado por seus pais à emergência 2 horas depois do ocorrido. O cão é conhecido e está com as vacinas em dia. A criança tem esquema vacinal atualizado, incluindo DPTa e VIP com 5 anos de idade. A mordedura ocorreu na região abdominal. Exame da pele: lesão de 4 cm de diâmetro, bem superficial, sem sinais inflamatórios. Além da limpeza da ferida com água e sabão, deve-se:

Alternativas

  1. A) Observar o animal por dez dias pós-exposição.
  2. B) Observar o animal e administrar 1ª dose de vacina antirrábica.
  3. C) Administrar imunoglobulina antirrábica e toxoide tetânico.
  4. D) Administrar esquema de cinco doses de vacina antirrábica.
  5. E) Administrar esquema de dez doses de vacina antirrábica e antibióticos.

Pérola Clínica

Mordedura por cão conhecido e vacinado, sem sinais de raiva → observar animal por 10 dias, sem vacina antirrábica humana.

Resumo-Chave

Em casos de mordedura por cão conhecido, vacinado e que pode ser observado, a conduta inicial é a observação do animal por 10 dias. Se o animal permanecer saudável nesse período, não há risco de raiva e a profilaxia antirrábica humana não é necessária. A limpeza da ferida e avaliação do tétano são sempre importantes.

Contexto Educacional

As mordeduras de animais, especialmente cães, são ocorrências comuns que exigem uma avaliação cuidadosa para determinar a conduta adequada, principalmente em relação à profilaxia da raiva. A raiva é uma zoonose viral grave, quase sempre fatal, transmitida ao homem pela saliva de animais infectados. No Brasil, os protocolos de profilaxia pós-exposição são estabelecidos pelo Ministério da Saúde e visam a prevenção da doença em humanos, considerando o tipo de animal, as características da exposição e o status vacinal do agressor e da vítima. Em casos de mordedura por cão ou gato, a conduta é guiada pela possibilidade de observação do animal e seu status vacinal. Se o animal for conhecido, vacinado e puder ser observado por 10 dias, a conduta inicial é apenas a limpeza da ferida com água e sabão. Se o animal permanecer saudável durante esse período, não há risco de transmissão da raiva e a vacinação antirrábica humana não é necessária. Essa abordagem evita exposições desnecessárias à vacina e imunoglobulina, que podem ter efeitos adversos. Outros pontos importantes na avaliação de uma mordedura incluem a profilaxia antitetânica, que deve ser atualizada se o esquema vacinal da vítima estiver incompleto ou se a ferida for considerada tetanogênica. Além disso, a profilaxia antibiótica pode ser considerada em feridas profundas, em mãos, pés ou genitais, ou em pacientes imunocomprometidos, devido ao risco de infecções bacterianas secundárias. A limpeza adequada da ferida é a medida mais importante para reduzir o risco de infecção local e, em parte, o risco de raiva.

Perguntas Frequentes

Quando a vacina antirrábica humana é indicada após uma mordedura de cão?

A vacina antirrábica humana é indicada quando o animal é desconhecido, não vacinado, selvagem, ou quando há impossibilidade de observação. Também é considerada em lesões graves (profundas, múltiplas, em áreas de alto risco como cabeça e pescoço), mesmo por animais conhecidos, se houver qualquer dúvida sobre o status do animal.

Qual a importância da observação do animal após uma mordedura?

A observação do animal por 10 dias é crucial para verificar o desenvolvimento de sinais de raiva. Se o animal permanecer saudável durante esse período, significa que ele não estava transmitindo o vírus da raiva no momento da mordedura, tornando a profilaxia humana desnecessária.

Além da raiva, o que mais deve ser considerado em uma mordedura de animal?

Além da raiva, deve-se sempre avaliar a necessidade de profilaxia antitetânica (se o esquema vacinal da vítima estiver incompleto ou desatualizado) e o risco de infecção bacteriana secundária. A limpeza rigorosa da ferida com água e sabão é a primeira medida e pode reduzir significativamente o risco de infecção.

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