Mordedura de Cão: Conduta na Profilaxia da Raiva

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2025

Enunciado

Ana, 20 anos, vem a unidade básica com história de mordedura por cão, ocorrida há cerca de 30 minutos. Apresenta ferimento superficial, limpo, com cerca de 1,0 cm de diâmetro na perna direita. O cachorro é do vizinho, vacinado e não apresenta qualquer sintoma que indique suspeita de raiva e possível de observação. Paciente nega doenças prévias e acidentes anteriores que tenha necessitado de imunização antirrábica. Assinale a alternativa que contém a conduta inicial mais adequada em relação à profilaxia da raiva, além dos cuidados locais.

Alternativas

  1. A) Observar o cão por um período de 10 dias (morte, desaparecimento ou sinais de raiva).
  2. B) Encaminhar para aplicação de vacinação antirrábica e observar o cão por 10 dias (morte, desparecimento ou sinais de raiva).
  3. C) Liberar sem necessidade de observação do cão, uma vez que o cão tem histórico de vacinação.
  4. D) Encaminhar para aplicação de vacinação antirrábica e imunoglobulina antirrábica.

Pérola Clínica

Mordedura por cão vacinado/observável sem sintomas → observar animal por 10 dias antes de vacinar humano.

Resumo-Chave

Em casos de mordedura por cão conhecido, vacinado e sem sinais de raiva, que pode ser observado, a conduta inicial é monitorar o animal por 10 dias. A vacinação antirrábica humana só é indicada se o animal desenvolver sintomas, desaparecer ou morrer nesse período.

Contexto Educacional

A profilaxia da raiva após acidentes com animais é um tema de grande importância em saúde pública e frequentemente abordado em provas de residência. A raiva é uma zoonose viral fatal, mas 100% prevenível com a profilaxia adequada. A conduta não é padronizada para todos os casos, dependendo de fatores como o tipo de animal, o tipo de exposição (ferimento), a condição do animal (vacinado, conhecido, observável) e o histórico de vacinação do paciente. Para acidentes envolvendo cães e gatos domésticos, a observação do animal por 10 dias é uma estratégia fundamental. Se o animal permanecer saudável durante esse período, significa que ele não estava transmitindo o vírus da raiva no momento do acidente, e a profilaxia humana pode ser dispensada ou interrompida. Essa abordagem racionaliza o uso de vacinas e imunoglobulinas, que são recursos valiosos. É crucial que o profissional de saúde saiba classificar o tipo de exposição (leve, grave) e a condição do animal para tomar a decisão correta. Ferimentos superficiais de cães vacinados e observáveis, como no caso apresentado, geralmente requerem apenas a observação do animal e cuidados locais com a ferida, sem a necessidade imediata de vacinação humana. A vacinação e/ou imunoglobulina são reservadas para situações de maior risco ou quando a observação do animal não é possível ou conclusiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para observar um animal após um acidente por mordedura?

Os critérios incluem ser um animal doméstico (cão ou gato), conhecido, que possa ser mantido em observação por 10 dias, e que não apresente sinais sugestivos de raiva no momento do acidente. A vacinação prévia do animal também é um fator importante.

Quando a vacinação antirrábica humana é indicada após mordedura de cão?

A vacinação é indicada imediatamente para ferimentos graves (profundos, múltiplos, em áreas de alto risco como cabeça e pescoço), ou se o animal for desconhecido, selvagem, ou apresentar sinais de raiva. Para ferimentos leves de animais observáveis, a vacinação é iniciada se o animal desenvolver raiva, desaparecer ou morrer durante a observação de 10 dias.

Qual a importância da imunoglobulina antirrábica na profilaxia?

A imunoglobulina antirrábica (IGRA) fornece anticorpos passivos imediatos, oferecendo proteção enquanto o sistema imune do paciente desenvolve sua própria resposta aos antígenos da vacina. É indicada para ferimentos graves, especialmente em áreas de alta inervação, e em pacientes imunocomprometidos, sempre em conjunto com a vacina.

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