Varizes Esofágicas: Profilaxia Primária em Cirrose Hepática

Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2020

Enunciado

Homem de 61 anos, com diagnóstico de cirrose alcoólica, é submetido à endoscopia digestiva alta na qual se verifica a presença de varizes esofágicas de médio e grande calibre. Não tem história de sangramento digestivo. A albumina sérica é de 3,5 g/dL (VR 3,5 a 4,5g/dL) e o tempo de protrombina é de 10 segundos/85% de atividade. Qual das condutas abaixo é a mais adequada para a profilaxia do sangramento?

Alternativas

  1. A) Indicar o uso de betabloqueador
  2. B) Indicar o uso de ocreotida
  3. C) Realizar shunt portossistêmico
  4. D) Realizar escleroterapia profilática

Pérola Clínica

Cirrose + varizes esofágicas médio/grande calibre sem sangramento → Betabloqueador não seletivo para profilaxia primária.

Resumo-Chave

Em pacientes com cirrose e varizes esofágicas de médio a grande calibre que nunca sangraram, a profilaxia primária é crucial. Betabloqueadores não seletivos (propranolol, carvedilol) são a primeira linha de tratamento, pois reduzem a pressão portal e o risco de sangramento.

Contexto Educacional

A profilaxia do sangramento por varizes esofágicas é um pilar fundamental no manejo da cirrose hepática, uma vez que o primeiro episódio de sangramento está associado a alta morbimortalidade. A identificação de varizes de médio ou grande calibre, ou varizes de qualquer tamanho com sinais de alto risco (red spots), em pacientes cirróticos sem história prévia de sangramento, exige intervenção para prevenir essa complicação devastadora. A fisiopatologia envolve a hipertensão portal, que leva à formação de varizes como um mecanismo de descompressão. O aumento da pressão nas varizes as torna suscetíveis à ruptura. A avaliação da função hepática, como o escore Child-Pugh, e a presença de ascite ou encefalopatia, são importantes para estratificar o risco. A endoscopia digestiva alta é o método padrão-ouro para o diagnóstico e estratificação das varizes. Para a profilaxia primária, os betabloqueadores não seletivos (propranolol, carvedilol) são a primeira linha de tratamento, pois reduzem a pressão portal. A ligadura elástica endoscópica é uma alternativa para pacientes com contraindicações ou intolerância aos betabloqueadores, ou em casos de varizes de alto risco. Ocreotida é usada no sangramento agudo, e shunts portossistêmicos são reservados para casos refratários ou profilaxia secundária em situações específicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para sangramento de varizes esofágicas?

Os principais fatores de risco incluem o tamanho das varizes (médio/grande calibre), a presença de sinais vermelhos na endoscopia e a gravidade da disfunção hepática (Child-Pugh B/C).

Por que os betabloqueadores não seletivos são a primeira escolha na profilaxia primária?

Betabloqueadores não seletivos, como propranolol e carvedilol, reduzem a pressão portal ao diminuir o débito cardíaco e causar vasoconstrição esplâncnica, diminuindo o fluxo sanguíneo para as varizes e, consequentemente, o risco de sangramento.

Quando a ligadura elástica endoscópica é indicada para varizes esofágicas?

A ligadura elástica é indicada para profilaxia primária em pacientes com varizes de alto risco que têm contraindicação ou intolerância aos betabloqueadores, ou para profilaxia secundária após um primeiro episódio de sangramento.

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