Febre Reumática: Janela Terapêutica da Profilaxia Primária

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menino, 8 anos de idade, apresenta quadro de odinofagia e febre de até 39°C há 2 dias. Nega tosse ou coriza. Sem queixas gastrointestinais ou urinárias. Sem comorbidades prévias. Ao exame, a criança está em com estado geral e na oroscopia apresenta amigdalas hiperemiadas e hipertrofiadas, com petéquias em palato. Linfonodos fibroelásticos, de até 1 cm palpáveis em cadeia cervical anterior e posterior. Sem outras alterações significativas ao exame clínico. Foi colhida uma pesquisa rápida de estreptococo, com resultado negativo. Então, foi optado por colher um cultura de orofaringe, prescrito apenas medicações sintomáticas e orientado retorno obrigatório em 72 horas, para checar o resultado da cultura e decidir sobre a necessidade de antibioticoterapia. Pensando na profilaxia de febre reumática, pode-se afirmar que

Alternativas

  1. A) a conduta é inadequada, pois o antibiótico deve ser introduzido nas primeiras 72 horasdos sintomas para garantir a prevenção de febre reumática.
  2. B) a conduta não influenciará na prevenção de febre reumática, pois se a pesquisa rápidade estreptococo veio negativa, logo, este risco está excluído.
  3. C) a conduta é adequada, pois para garantir a prevenção de febre reumática, o antibióticopode ser introduzido atá o 9° dia de doença.
  4. D) a conduta não terá nenhuma relação com a prevenção de febre reumática, pois oquadro é típico de mononucleose infecciosa.
  5. E) a conduta é inadequada, pois deve ser prescrita imediatamente penicilina benzatinapara o caso índice e para todos os contactantes abaixo de 7 anos de idade.

Pérola Clínica

Profilaxia FR: ATB para faringite estreptocócica pode ser iniciado até o 9º dia de sintomas.

Resumo-Chave

Para a profilaxia primária da febre reumática, a antibioticoterapia para faringoamigdalite estreptocócica pode ser iniciada até o nono dia do início dos sintomas. Isso garante a erradicação do Streptococcus pyogenes e previne a sequela autoimune, mesmo que o tratamento não seja imediato.

Contexto Educacional

A febre reumática é uma doença inflamatória sistêmica que pode ocorrer como sequela de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes. É uma condição de grande importância na pediatria e clínica médica, especialmente em países em desenvolvimento, devido ao seu potencial de causar cardiopatia reumática crônica. A profilaxia primária, que consiste no tratamento adequado da faringoamigdalite estreptocócica, é a principal estratégia para prevenir a doença. O diagnóstico da faringoamigdalite estreptocócica deve ser confirmado laboratorialmente, seja por teste rápido de antígeno ou cultura de orofaringe, especialmente em crianças. A conduta de aguardar o resultado da cultura, como no caso apresentado, é aceitável, desde que o tratamento seja iniciado dentro da janela terapêutica. A janela terapêutica para a profilaxia primária da febre reumática é de até 9 dias após o início dos sintomas da faringite. Isso significa que, mesmo que o tratamento não seja iniciado imediatamente, ainda é eficaz na prevenção da febre reumática se administrado dentro desse período. A penicilina benzatina é o antibiótico de escolha devido à sua eficácia e conveniência de dose única.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da profilaxia primária da febre reumática?

A profilaxia primária da febre reumática é crucial para prevenir a ocorrência da doença, que é uma complicação inflamatória não supurativa da faringoamigdalite por Streptococcus pyogenes, podendo levar a sequelas cardíacas graves.

Até quando o antibiótico pode ser introduzido para prevenir a febre reumática?

Para garantir a prevenção da febre reumática, o antibiótico pode ser introduzido até o 9º dia de doença, a partir do início dos sintomas da faringoamigdalite estreptocócica.

Como é feito o diagnóstico da faringite estreptocócica?

O diagnóstico da faringite estreptocócica é feito idealmente por meio de teste rápido de detecção de antígenos estreptocócicos ou cultura de orofaringe. A avaliação clínica pode ser auxiliada pelos critérios de Centor modificados, mas a confirmação laboratorial é preferencial.

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