PrEP na Gestação: Indicações e Protocolo de Uso Contínuo

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026

Enunciado

Gestante, 25 anos de idade, com 12 semanas de gravidez, comparece à consulta de pré-natal sem queixas. Refere parceiro fixo há 5 anos, saudável, atualmente em privação de liberdade, que não aceita uso de preservativo. Antecedentes pessoais: sífilis tratada com comprovação de tratamento e seguimento há 1 ano. Exames subsidiários: Teste rápido de HIV negativo. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Prescrever Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) sob demanda, antes e após relação sexual.
  2. B) Prescrever Profilaxia Pós-Exposição (PEP).
  3. C) Prescrever Terapia Antiretroviral (TARV).
  4. D) Prescrever Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de uso contínuo.

Pérola Clínica

Gestante com parceiro de risco/sorodiferente e exposição persistente → PrEP de uso contínuo.

Resumo-Chave

A PrEP contínua é segura na gestação e indicada quando há risco substancial de infecção, protegendo a mãe e prevenindo a transmissão vertical primária.

Contexto Educacional

A prevenção da infecção pelo HIV durante a gestação é uma prioridade de saúde pública, pois a infecção aguda na gravidez está associada a uma carga viral materna muito elevada, aumentando drasticamente o risco de transmissão vertical. A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) consiste no uso preventivo de antirretrovirais por pessoas soronegativas. No Brasil, o protocolo do Ministério da Saúde recomenda o uso contínuo de Tenofovir + Entricitabina para populações com vulnerabilidade acrescida. Diferente dos HSH, mulheres necessitam de cerca de 7 dias de uso contínuo para atingir concentrações protetoras no trato vaginal. A decisão de iniciar a PrEP deve ser compartilhada, pesando os riscos de aquisição do vírus versus a segurança bem estabelecida dos fármacos.

Perguntas Frequentes

A PrEP é segura durante a gravidez e amamentação?

Sim, estudos demonstram que o uso de TDF/FTC (Tenofovir/Entricitabina) como PrEP é seguro durante a gestação e amamentação, sem aumento significativo de malformações congênitas ou desfechos adversos graves para o feto ou recém-nascido.

Por que a PrEP sob demanda não é indicada para mulheres?

A PrEP sob demanda (esquema 2-1-1) só foi validada em estudos para homens que fazem sexo com homens (HSH). Para mulheres cisgênero e pessoas com exposição vaginal, a farmacocinética do medicamento nos tecidos genitais exige o uso contínuo para garantir níveis protetores eficazes.

Quais os critérios para indicar PrEP na gestação?

A indicação ocorre quando a gestante apresenta risco substancial de infecção pelo HIV, como parceiro vivendo com HIV com carga viral desconhecida ou detectável, parceiro com comportamento de risco, uso de drogas injetáveis ou histórico recente de ISTs.

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