USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
26 anos, G2P1A0 (1 parto normal anterior a termo sem intercorrências) 14 semanas de gestação gemelar dicoriônica, comparece à consulta para iniciar pré-natal. Antecedentes pessoais nega patologias e refere gravidez espontânea. Ao exame: peso: 92 kg, estatura 1,65 cm, bom estado geral com pressão arterial: 105 x 72 mmHg. Altura uterina de 16 cm, ausculta fetal do feto A de 142 bpm e do feto B de 156 bpm. Qual a conduta medicamentosa adequada?
Gestação gemelar + obesidade → alto risco para pré-eclâmpsia. Profilaxia: AAS + cálcio.
Mulheres com gestação gemelar e fatores de risco adicionais, como obesidade, possuem maior risco de desenvolver pré-eclâmpsia. A profilaxia com Ácido Acetilsalicílico (AAS) em baixa dose e suplementação de cálcio é recomendada para reduzir essa incidência, especialmente quando iniciada antes das 16 semanas de gestação.
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, sendo mais prevalente em gestações de alto risco, como as gemelares. A identificação precoce dos fatores de risco e a implementação de medidas profiláticas são cruciais para a saúde da gestante e dos fetos. A gestação gemelar, por si só, já confere um risco aumentado devido à maior massa placentária e às alterações hemodinâmicas associadas. Quando combinada com outros fatores como obesidade, o risco se eleva ainda mais. A profilaxia da pré-eclâmpsia com Ácido Acetilsalicílico (AAS) em baixa dose (geralmente 100-150 mg/dia) e suplementação de cálcio (1-2 g/dia) é uma intervenção baseada em evidências. O AAS atua na via da ciclooxigenase, modulando a produção de substâncias vasoativas e melhorando a perfusão placentária. O cálcio contribui para a regulação da pressão arterial e função endotelial. Ambas as intervenções devem ser iniciadas idealmente antes das 16 semanas de gestação para otimizar seus efeitos protetores. Para residentes e estudantes, é fundamental compreender os critérios de indicação para essa profilaxia, que incluem gestação múltipla, histórico de pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, diabetes, doença renal e doenças autoimunes. A correta aplicação dessas diretrizes pode impactar significativamente os desfechos gestacionais, reduzindo a incidência de pré-eclâmpsia e suas complicações, como restrição de crescimento fetal e parto prematuro.
Os principais fatores de risco incluem gestação gemelar em si, obesidade materna, hipertensão crônica, diabetes pré-gestacional, doença renal, histórico de pré-eclâmpsia em gestação anterior e idade materna avançada.
O AAS em baixa dose atua inibindo a agregação plaquetária e a produção de tromboxano A2, melhorando a perfusão placentária. O cálcio, por sua vez, pode reduzir a pressão arterial e modular a função endotelial, contribuindo para a prevenção da doença.
A profilaxia com AAS deve ser iniciada preferencialmente entre 12 e 16 semanas de gestação, e a suplementação de cálcio pode ser iniciada a partir do segundo trimestre, para maximizar sua eficácia na redução do risco.
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