Profilaxia de Pré-eclâmpsia: Uso de AAS e Cálcio

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024

Enunciado

Gestante, 40 anos de idade, quartigesta (4G3P, todos normais), procura maternidade para iniciar pré-natal, pois está com 7 semanas gestacionais. Refere elevação da pressão em 2 últimas gestações, e o último parto aconteceu com 36 semanas de gestação. Aferiu a PA no posto de saúde há 1 semana: 140x92mmHg. Essa é a 1ª gestação do seu terceiro casamento. Ao exame: PA: 142x90mmHg, IMC: 27. Nega uso de medicações. Nega cirurgias prévias ou alergias. Etilismo social, mas parou desde o diagnóstico da gestação, e tabagismo 0,5 maço ao dia, mas também já está tentando parar.Indique a medicação (droga) que pode ser usada nesse caso para reduzir a evolução para toxemia gravídica.

Alternativas

Pérola Clínica

AAS 100-150mg + Cálcio (se baixa ingesta) → ↓ risco de pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco.

Resumo-Chave

A profilaxia com AAS deve ser iniciada entre 12 e 16 semanas em pacientes com fatores de risco como idade > 40 anos e história prévia de hipertensão gestacional.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no mundo. Sua fisiopatologia envolve uma falha na segunda onda de invasão trofoblástica, resultando em isquemia placentária e disfunção endotelial sistêmica. A identificação precoce de gestantes de alto risco permite intervenções profiláticas eficazes que alteram o curso natural da doença. O uso de antiagregantes plaquetários em baixas doses (AAS) modula o desequilíbrio entre prostaciclinas e tromboxanos, favorecendo a perfusão placentária. Além disso, a suplementação de cálcio reduz a reatividade vascular. O manejo adequado inclui o controle rigoroso da pressão arterial e a vigilância de sinais de gravidade (toxemia), visando o prolongamento seguro da gestação e a prevenção de complicações como eclâmpsia e síndrome HELLP.

Perguntas Frequentes

Qual a dose recomendada de AAS para prevenção de pré-eclâmpsia?

A dose recomendada varia entre 100 e 150 mg por dia, administrada preferencialmente à noite. O início deve ocorrer idealmente entre a 12ª e a 16ª semana de gestação, não ultrapassando a 20ª semana para garantir a eficácia máxima na inibição da síntese de tromboxano e melhora da placentação, reduzindo o risco de pré-eclâmpsia precoce e restrição de crescimento intrauterino.

Quais são os principais fatores de risco para pré-eclâmpsia?

Os fatores de alto risco incluem história prévia de pré-eclâmpsia, gestação múltipla, hipertensão crônica, diabetes mellitus (tipo 1 ou 2), doença renal e doenças autoimunes como lúpus ou síndrome antifosfolípide. Fatores de risco moderado incluem nuliparidade, obesidade (IMC > 30), idade materna superior a 40 anos e história familiar de pré-eclâmpsia em parentes de primeiro grau.

Quando o cálcio deve ser associado à profilaxia?

A suplementação de cálcio (1,5 a 2,0 g/dia) é indicada para gestantes com baixa ingestão dietética de cálcio (menos de 600 mg/dia) que apresentam risco para pré-eclâmpsia. A combinação com AAS potencializa a redução do risco de desfechos graves em populações com deficiência nutricional, atuando na redução da reatividade vascular e da liberação de paratormônio.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo