Pré-eclâmpsia: Profilaxia com AAS em Gestantes de Risco

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020

Enunciado

A pré-eclâmpsia é a principal causa de mortalidade das mulheres gestantes no Brasil. Com a evolução de medicina, é possível identificar as pacientes de risco. Gestante primigesta, 42 anos, afrodescendente, mãe e irmã com pré-eclâmpsia, com idade gestacional de 12 semanas e pressão arterial de 100/60 mmHg. Apresentou Doppler das artérias uterinas com IP médio acima do p95. Baseado nestas informações, assinale a alternativa CORRETA sobre qual a conduta adequada:

Alternativas

  1. A) Uso de metildopa profilático.
  2. B) Uso de Ácido AcetilSalicílico.
  3. C) Uso de nifedipina profilática.
  4. D) Uso de metformina.
  5. E) Com base nas informações, não há a indicação de qualquer medicação.

Pérola Clínica

Risco elevado de pré-eclâmpsia (fatores clínicos + Doppler alterado) → AAS profilático.

Resumo-Chave

A paciente apresenta múltiplos fatores de risco para pré-eclâmpsia (idade > 40, primiparidade, raça, história familiar) e um Doppler de artérias uterinas alterado no primeiro trimestre, indicando alto risco. Nestes casos, a profilaxia com Ácido Acetilsalicílico (AAS) em baixa dose é a conduta recomendada para reduzir a incidência de pré-eclâmpsia.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma condição grave que afeta cerca de 2-8% das gestações e é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. Caracteriza-se por hipertensão de início após 20 semanas de gestação, acompanhada de proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo. A identificação precoce de gestantes de alto risco é crucial para a implementação de medidas profiláticas que podem reduzir a incidência e a gravidade da doença. O rastreamento de pré-eclâmpsia no primeiro trimestre envolve a combinação de fatores de risco maternos (clínicos e demográficos), marcadores bioquímicos (como PAPP-A e PlGF) e o Doppler das artérias uterinas. Um Índice de Pulsatilidade (IP) médio elevado nas artérias uterinas reflete uma placentação inadequada, que é a base fisiopatológica da pré-eclâmpsia. A presença de múltiplos fatores de risco clínicos, como idade avançada, primiparidade, raça e história familiar, em conjunto com um Doppler alterado, eleva significativamente o risco. A profilaxia com Ácido Acetilsalicílico (AAS) em baixa dose (geralmente 100-150 mg/dia) é a intervenção mais eficaz para reduzir o risco de pré-eclâmpsia, especialmente quando iniciada antes das 16 semanas de gestação. O AAS atua inibindo a ciclo-oxigenase plaquetária, modulando o balanço de tromboxano e prostaciclina, o que melhora a perfusão placentária. É fundamental que residentes saibam identificar as pacientes de risco e iniciar a profilaxia adequada para melhorar os desfechos maternos e neonatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para pré-eclâmpsia?

Os principais fatores de risco incluem história prévia de pré-eclâmpsia, doença renal crônica, doenças autoimunes, diabetes, hipertensão crônica, gestação múltipla, idade materna avançada (>40 anos), obesidade, primiparidade e história familiar de pré-eclâmpsia.

Quando e como o Ácido Acetilsalicílico deve ser usado para profilaxia da pré-eclâmpsia?

O AAS em baixa dose (geralmente 81-150 mg/dia) deve ser iniciado entre 12 e 16 semanas de gestação, preferencialmente antes das 16 semanas, e mantido até o parto. É indicado para gestantes com um ou mais fatores de alto risco ou múltiplos fatores de risco moderado.

Qual a importância do Doppler das artérias uterinas no rastreamento da pré-eclâmpsia?

O Doppler das artérias uterinas no primeiro trimestre, avaliando o Índice de Pulsatilidade (IP) médio, é um marcador de risco para pré-eclâmpsia. Um IP médio acima do percentil 95 indica maior resistência ao fluxo, associado a um risco aumentado de desenvolvimento da doença.

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