CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Primigesta, 42 anos, na 13ª semana de gestação, realizou exame morfológico que evidenciou aumento do índice de pulsatilidade médio das artérias uterinas e risco de pré eclampsia calculado 1/40. Assinale a alternativa CORRETA:
Risco ↑ pré-eclâmpsia (IP artérias uterinas alterado + fatores) → AAS 100-150mg à noite até 36ª semana.
A profilaxia com AAS em baixas doses é indicada para gestantes com alto risco de pré-eclâmpsia, especialmente quando o rastreamento no primeiro trimestre (incluindo Doppler de artérias uterinas e fatores maternos) indica risco elevado. O início precoce (antes da 16ª semana) e a manutenção até o final da gestação são cruciais para a eficácia.
A pré-eclâmpsia é uma complicação grave da gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. A identificação precoce de gestantes de alto risco é fundamental para a implementação de medidas preventivas eficazes. O rastreamento no primeiro trimestre, que combina fatores maternos, biomarcadores e avaliação do Doppler das artérias uterinas, permite estratificar o risco de forma precisa. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação inadequada no início da gestação, resultando em isquemia e liberação de fatores antiangiogênicos que causam disfunção endotelial sistêmica. A profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixas doses (100-150mg/dia) atua nesse processo, melhorando a invasão trofoblástica e a remodelação das artérias espiraladas, especialmente quando iniciada antes da 16ª semana de gestação. A conduta correta para gestantes com alto risco de pré-eclâmpsia é iniciar o AAS em baixas doses à noite, preferencialmente entre a 12ª e a 16ª semana, e mantê-lo até a 36ª semana de gestação. Essa intervenção demonstrou reduzir significativamente a incidência de pré-eclâmpsia, especialmente as formas graves e de início precoce, melhorando os desfechos maternos e neonatais.
Os principais fatores incluem história prévia de pré-eclâmpsia, doença renal crônica, doenças autoimunes (LES, SAF), diabetes pré-gestacional, hipertensão crônica, gestação múltipla, idade materna avançada (>40 anos) e obesidade.
O AAS em baixas doses inibe seletivamente a ciclooxigenase-1 (COX-1) plaquetária, reduzindo a produção de tromboxano A2, um potente vasoconstritor e agregador plaquetário. Isso melhora o balanço prostaciclina/tromboxano, favorecendo a vasodilatação e a perfusão placentária.
O rastreamento deve ser realizado no primeiro trimestre (11-14 semanas), combinando fatores de risco maternos, pressão arterial média, dosagem de PAPP-A e PlGF, e o índice de pulsatilidade das artérias uterinas no Doppler.
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