INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma paciente secundigesta, com 27 anos, foi encaminhada pela atenção primária de saúde ao ambulatório de gestação de alto risco para iniciar pré-natal, devido à história obstétrica anterior de pré-eclâmpsia leve e descolamento prematuro de placenta intraparto. Durante a consulta, evidenciou-se que a gestante se encontrava com 16 semanas de gestação, apresentando pressão arterial de 135 × 83 mmHg. Foi realizada a avaliação de proteinúria com fita, cujo resultado foi negativo.A conduta a ser imediatamente adotada, a fim de melhorar o prognóstico materno e perinatal dessa gestação, é a prescrição de
História pré-eclâmpsia ou DPP → AAS profilático < 16 semanas para melhorar prognóstico.
Pacientes com histórico de pré-eclâmpsia ou descolamento prematuro de placenta (DPP) em gestação anterior possuem alto risco de recorrência. A profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose, iniciada preferencialmente antes das 16 semanas de gestação, é fundamental para reduzir o risco de pré-eclâmpsia e suas complicações.
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação. Sua etiologia envolve disfunção placentária e endotelial. A identificação precoce de gestantes de alto risco é crucial para a implementação de medidas preventivas. A profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose é a intervenção mais eficaz para reduzir o risco de pré-eclâmpsia em pacientes com fatores de risco. O AAS deve ser iniciado idealmente antes das 16 semanas de gestação, pois atua na fase de invasão trofoblástica, melhorando a remodelação das artérias espiraladas e a perfusão placentária. O prognóstico materno e perinatal é significativamente melhorado com a profilaxia adequada. É fundamental que residentes saibam identificar os fatores de risco e prescrever corretamente o AAS, evitando complicações como restrição de crescimento intrauterino, prematuridade e descolamento prematuro de placenta.
Fatores de risco incluem histórico de pré-eclâmpsia em gestação anterior, doença renal crônica, doenças autoimunes (lúpus, SAF), diabetes tipo 1 ou 2, hipertensão crônica e gestação múltipla.
A dose recomendada é de 80-150 mg de ácido acetilsalicílico, uma vez ao dia, via oral, preferencialmente iniciada entre 12 e 16 semanas de gestação e mantida até o parto.
O AAS em baixa dose atua inibindo a ciclo-oxigenase-1 (COX-1) plaquetária, reduzindo a produção de tromboxano A2, um potente vasoconstritor e agregador plaquetário, promovendo um melhor balanço com a prostaciclina e melhorando a perfusão placentária.
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