Pré-Eclâmpsia: Profilaxia com Aspirina em Gestantes de Risco

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Segundigesta, 28 anos, realizou US morfológico de 1º trimestre o qual evidenciou feto único, CCN 78 mm, TN: 1,5 mm, osso nasal presente e doppler do ducto venoso com onda "a" positiva. Refere ter tido pré-eclâmpsia em gestação anterior. A gestação atual foi por FIV. Ao exame apresentasse com pressão arterial 140/90 mmHg, IMC: 30 kg/m². Qual a conduta nesse caso?

Alternativas

  1. A) Anticoagulante e encaminhamento para ambulatório de alto risco.
  2. B) Amniocentese para cariótipo entre 16 e 20 semanas.
  3. C) Progesterona via vaginal e US morfológico de 2º trimestre e ecocardiografia fetal entre 20 e 24 semanas.
  4. D) Aspirina 150mg/dia.

Pérola Clínica

Gestante com múltiplos fatores de risco para pré-eclâmpsia → Aspirina 150mg/dia para profilaxia, idealmente antes de 16 semanas.

Resumo-Chave

A profilaxia com aspirina em baixas doses (100-150mg/dia) é indicada para gestantes com alto risco de desenvolver pré-eclâmpsia, como história prévia de PE, gestação por FIV, obesidade e hipertensão. A introdução deve ser feita preferencialmente entre 12 e 16 semanas de gestação para maximizar a eficácia na prevenção.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação. Sua prevenção é crucial, especialmente em gestantes com fatores de risco. A identificação precoce desses fatores permite a implementação de estratégias profiláticas eficazes, como o uso de aspirina em baixas doses. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação anormal, resultando em isquemia e liberação de fatores antiangiogênicos que causam disfunção endotelial materna. A aspirina atua inibindo a ciclo-oxigenase, reduzindo a produção de tromboxano A2 e promovendo um equilíbrio mais favorável com a prostaciclina, melhorando a perfusão placentária. O rastreamento de risco deve ser realizado no primeiro trimestre, combinando história clínica, marcadores bioquímicos e ultrassonográficos. A conduta para gestantes com alto risco de pré-eclâmpsia inclui a prescrição de aspirina 100-150mg/dia, iniciada idealmente entre 12 e 16 semanas e mantida até o parto. Além disso, é fundamental o acompanhamento pré-natal em ambulatório de alto risco, com monitoramento rigoroso da pressão arterial e sinais de alerta para a doença. A educação da paciente sobre os sintomas de pré-eclâmpsia também é um pilar importante do manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para pré-eclâmpsia que justificam a profilaxia com aspirina?

Os principais fatores de risco incluem história de pré-eclâmpsia em gestação anterior, doença renal crônica, doenças autoimunes (LES, SAF), diabetes tipo 1 ou 2, hipertensão crônica. Fatores moderados como primiparidade, idade avançada, obesidade, FIV e história familiar também são relevantes.

Qual a dose e o período ideal para iniciar a aspirina na profilaxia da pré-eclâmpsia?

A dose recomendada de aspirina é de 100 a 150 mg/dia. O período ideal para iniciar a profilaxia é entre 12 e 16 semanas de gestação, e deve ser mantida até o parto para otimizar a prevenção.

A presença de ultrassonografia morfológica de 1º trimestre normal afasta o risco de pré-eclâmpsia?

Não, uma ultrassonografia morfológica de 1º trimestre normal, incluindo TN e ducto venoso, avalia principalmente o risco de aneuploidias. Embora alguns marcadores ultrassonográficos possam ser incorporados em modelos de risco para pré-eclâmpsia, a presença de múltiplos fatores de risco clínicos ainda indica a necessidade de profilaxia, independentemente de um USG normal para rastreamento de síndromes genéticas.

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