IOVALE - Instituto de Olhos do Vale (SP) — Prova 2021
Tercigesta, secundípara, de 39 anos, encontra-se com 14 semanas de gravidez em primeira consulta de pré-natal. AP: pré-eclâmpsia em gestação anterior, HAS controlada com metildopa 750 mg por dia. A conduta sobre a utilização de ácido acetilsalicílico na gestação e sua justificativa, com base nas informações da tabela a seguir, são:
Gestante com HAS crônica e pré-eclâmpsia prévia → AAS 100 mg/dia para profilaxia de pré-eclâmpsia.
A profilaxia com ácido acetilsalicílico em baixa dose (100-150 mg/dia) é indicada para gestantes com fatores de risco para pré-eclâmpsia, como hipertensão crônica e histórico de pré-eclâmpsia em gestação anterior. O início ideal é antes das 16 semanas de gestação, visando melhorar a placentação e reduzir a incidência da doença.
A pré-eclâmpsia é uma complicação grave da gravidez, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. Sua etiologia envolve uma placentação anormal que leva à disfunção endotelial sistêmica. A identificação precoce de gestantes de alto risco é crucial para a implementação de medidas preventivas eficazes. A profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose é uma estratégia bem estabelecida para reduzir a incidência de pré-eclâmpsia em populações de alto risco. Gestantes com histórico de pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, diabetes pré-gestacional, doença renal ou doenças autoimunes são candidatas a essa intervenção. O mecanismo de ação do AAS envolve a modulação da balança entre tromboxano A2 e prostaciclina, melhorando a perfusão útero-placentária. A conduta correta envolve a prescrição de AAS na dose de 100 a 150 mg/dia, com início preferencialmente entre 12 e 16 semanas de gestação e manutenção até o parto. Essa abordagem demonstrou reduzir significativamente a incidência de pré-eclâmpsia, especialmente as formas graves e de início precoce, impactando positivamente os desfechos maternos e neonatais. É fundamental que o médico esteja atento aos critérios de indicação e ao momento ideal para iniciar a terapia.
Os principais fatores de risco incluem histórico de pré-eclâmpsia em gestação anterior, hipertensão crônica, doença renal crônica, diabetes mellitus, doenças autoimunes (como lúpus) e gestação múltipla. Idade materna avançada e obesidade também são considerados.
A dose recomendada é de 100 a 150 mg/dia, preferencialmente à noite. O início deve ocorrer entre 12 e 16 semanas de gestação, estendendo-se até o parto, para maximizar a eficácia na prevenção.
O AAS em baixa dose atua inibindo a ciclo-oxigenase-1 (COX-1) plaquetária, reduzindo a produção de tromboxano A2, um potente vasoconstritor e agregador plaquetário. Isso promove um equilíbrio com a prostaciclina (vasodilatador), melhorando a perfusão placentária e prevenindo a disfunção endotelial associada à pré-eclâmpsia.
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