CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024
Gestante, IMC 35, na 12ª Semana de gestação foi a primeira consulta pré-natal. Quanto a profilaxia da pré-eclampsia nessa paciente, é correto afirmar que:
Gestante com IMC ≥ 35 tem alto risco para pré-eclâmpsia, indicando profilaxia com AAS até 36 semanas.
Gestantes com fatores de alto risco para pré-eclâmpsia, como obesidade (IMC ≥ 35), devem iniciar a profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose (geralmente 100-150 mg/dia) a partir do início do segundo trimestre (idealmente antes de 16 semanas) e continuar até 36 semanas de gestação, para reduzir significativamente o risco da doença.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg) após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. A identificação de gestantes de alto risco é crucial para a implementação de medidas profiláticas, visando reduzir a incidência e a gravidade da doença. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação anormal no início da gestação, levando à isquemia placentária e à liberação de fatores antiangiogênicos que causam disfunção endotelial materna generalizada. Fatores de risco como obesidade (IMC ≥ 35), hipertensão crônica, diabetes pré-existente, doença renal e histórico de pré-eclâmpsia aumentam significativamente a probabilidade de desenvolver a condição. A profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose é a intervenção mais eficaz para reduzir o risco de pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco. O AAS deve ser iniciado idealmente antes de 16 semanas de gestação e mantido até 36 semanas. A paciente do enunciado, com IMC de 35, é considerada de alto risco e, portanto, tem indicação clara para iniciar a profilaxia com AAS, independentemente do resultado do Doppler de artérias uterinas, que pode ser usado como um fator adicional de estratificação de risco, mas não é um pré-requisito para iniciar o AAS em pacientes com fatores de alto risco clínicos.
Os principais fatores de alto risco incluem histórico de pré-eclâmpsia em gestação anterior, doença renal crônica, doenças autoimunes (lúpus, SAF), diabetes tipo 1 ou 2, hipertensão crônica e gestação múltipla. Fatores de risco moderado, como obesidade (IMC ≥ 35), idade >40 anos, nuliparidade, também podem indicar profilaxia.
O AAS em baixa dose (geralmente 100-150 mg/dia) deve ser iniciado idealmente entre 12 e 16 semanas de gestação (mas pode ser iniciado até 20 semanas) e continuado diariamente até 36 semanas de gestação. A dose noturna é frequentemente recomendada para otimizar a absorção e o efeito antiplaquetário.
O AAS atua inibindo a ciclo-oxigenase-1 (COX-1) plaquetária, reduzindo a produção de tromboxano A2 (um potente vasoconstritor e agregador plaquetário) e promovendo um equilíbrio a favor da prostaciclina (vasodilatador e antiagregante). Isso melhora a placentação e a perfusão uteroplacentária, prevenindo a disfunção endotelial associada à pré-eclâmpsia.
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