Profilaxia Pós-Violência Sexual: ISTs e Conduta

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 17 anos, nuligesta, chega em unidade de pronto atendimento referindo ter sofrido violência sexual. Relata que há cerca de três horas foi abordada por dois homens encapuzados, sob ameaça constante de arma de fogo e sem reconhecimento dos agressores. Houve penetração vaginal sem preservativo, com percepção de secreção semelhante a sêmen após a agressão. Informa que faz uso de anticoncepcional oral combinado regularmente há dois anos. Relata que sua vacinação está atualizada. Além de antirretrovirais, deve ser prescrito(a)

Alternativas

  1. A) levonorgestrel 1,5mg; penicilina benzatina 2,4M UI; ceftriaxona 500mg; azitromicina 1g.
  2. B) penicilina benzatina 2,4M UI; secnidazol 2g; ceftriaxona 500mg; azitromicina 1g.
  3. C) levonorgestrel 1,5mg; penicilina benzatina 2,4M UI; secnidazol 2g; ceftriaxona 500mg; azitromicina 1g.
  4. D) levonorgestrel 1,5mg; penicilina benzatina 2,4M UI; secnidazol 2g; ceftriaxona 500mg.
  5. E) a associação da metronidazol via vaginal.

Pérola Clínica

Profilaxia pós-violência sexual inclui ATB para sífilis, gonorreia, clamídia, tricomoníase e anticoncepção de emergência (se não já coberta).

Resumo-Chave

A profilaxia pós-exposição à violência sexual deve cobrir as principais ISTs (sífilis, gonorreia, clamídia, tricomoníase) e considerar a anticoncepção de emergência, mesmo que a vítima já use anticoncepcional regular, devido ao risco de falha, embora o foco principal seja nas ISTs se a contracepção já estiver estabelecida.

Contexto Educacional

A abordagem à vítima de violência sexual em um pronto atendimento é uma emergência médica que exige uma conduta multidisciplinar e humanizada. Além do suporte psicológico e da coleta de evidências forenses, a profilaxia de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e a anticoncepção de emergência são pilares fundamentais do tratamento. A janela de tempo para a profilaxia é crítica, idealmente nas primeiras 72 horas após a exposição. A profilaxia de ISTs deve cobrir os patógenos mais comuns: Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis, Treponema pallidum (sífilis) e Trichomonas vaginalis. As medicações recomendadas são: Ceftriaxona 500mg IM dose única para gonorreia; Azitromicina 1g VO dose única para clamídia; Penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM dose única para sífilis; e Secnidazol 2g VO dose única (ou Metronidazol 2g VO dose única) para tricomoníase. Em relação à anticoncepção de emergência, o levonorgestrel 1,5mg VO dose única é a opção mais utilizada. No entanto, no caso apresentado, a paciente já faz uso regular de anticoncepcional oral combinado, o que confere proteção contra gravidez. Portanto, a prescrição adicional de levonorgestrel pode ser dispensada, focando-se na profilaxia das ISTs e na profilaxia pós-exposição para HIV (PEP), que já foi mencionada no enunciado. A vacinação contra hepatite B e tétano também deve ser avaliada e atualizada, se necessário.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) que devem ser profilaxias após violência sexual?

As principais ISTs a serem profilaxias são sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase, além da profilaxia pós-exposição para HIV (PEP).

Quais medicamentos são recomendados para a profilaxia de ISTs após violência sexual?

Recomenda-se penicilina benzatina (sífilis), ceftriaxona (gonorreia), azitromicina (clamídia) e secnidazol ou metronidazol (tricomoníase), em doses únicas.

A anticoncepção de emergência é sempre necessária após violência sexual?

A anticoncepção de emergência deve ser oferecida se houver risco de gravidez. Se a paciente já utiliza um método contraceptivo hormonal regular e corretamente, a necessidade pode ser reavaliada, mas a decisão deve ser individualizada.

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