Mordedura por Sagui: Profilaxia da Raiva e Tétano

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Criança de 6 anos de idade foi mordida por um sagui (primata) ao tentar alimentá-lo com pipoca num parque ecológico. O ferimento foi pequeno, puntiforme, com duas perfurações, notando-se pequena quantidade de sangue. Após atendimento médico, verificou-se que a criança estava em dia com a vacinação contra tétano. Assinale a alternativa correta para a conduta clínica, além da limpeza criteriosa da lesão:

Alternativas

  1. A) Soro e vacina antirrábicos.
  2. B) Vacina antirrábica.
  3. C) Vacina antitetânica.
  4. D) Soro antitetânico e vacina antitetânica.

Pérola Clínica

Mordedura por sagui (primata) → SEMPRE soro + vacina antirrábicos, mesmo com vacina antitetânica em dia.

Resumo-Chave

Mordeduras por animais silvestres, especialmente primatas como o sagui, são consideradas de alto risco para transmissão da raiva. Mesmo que o ferimento seja pequeno e o paciente esteja com a vacinação antitetânica em dia, a profilaxia antirrábica completa (soro e vacina) é obrigatória devido ao risco epidemiológico.

Contexto Educacional

A mordedura por animais é uma ocorrência comum na prática clínica, e a conduta adequada é fundamental para prevenir doenças graves como a raiva e o tétano. Em casos de mordedura por animais silvestres, como o sagui (um primata), o risco de transmissão da raiva é considerado elevado, exigindo uma abordagem rigorosa de profilaxia pós-exposição. A raiva é uma zoonose viral fatal, e a profilaxia pós-exposição é a única medida eficaz após a mordedura de um animal suspeito ou de risco. Em mordeduras por primatas, a conduta padrão, independentemente do status vacinal antitetânico do paciente ou da gravidade do ferimento, é a administração de soro e vacina antirrábicos. O soro confere imunidade passiva imediata, enquanto a vacina estimula a produção de anticorpos pelo próprio organismo, garantindo proteção a longo prazo. Mesmo que a criança esteja com a vacinação antitetânica em dia, isso não exclui a necessidade da profilaxia antirrábica. A limpeza criteriosa da lesão é sempre a primeira medida, seguida pela avaliação do risco de raiva e tétano. A profilaxia antitetânica deve ser complementada se o esquema estiver incompleto ou se houver indicação de reforço, mas a prioridade em mordeduras de animais silvestres é a profilaxia antirrábica completa.

Perguntas Frequentes

Qual a classificação de risco para raiva em mordeduras de primatas?

Mordeduras por primatas (saguis, macacos) são consideradas de alto risco para raiva, independentemente da gravidade do ferimento, devido à sua natureza silvestre e potencial de transmissão da doença.

Quando é indicada a administração de soro antirrábico e vacina?

A administração combinada de soro e vacina antirrábicos é indicada em exposições graves ou por animais de alto risco, como silvestres (morcegos, saguis) ou cães/gatos com suspeita de raiva, para conferir imunidade passiva imediata e ativa prolongada.

A vacinação antitetânica em dia dispensa outras profilaxias?

Não. Embora a vacinação antitetânica em dia proteja contra o tétano, ela não confere proteção contra a raiva. Em casos de mordedura por animais de risco, a profilaxia antirrábica é uma conduta separada e igualmente crucial.

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